
Foto: TSF
O doce, que vai estar em muitas mesas do Algarve, no Natal, já tem estatuto de Indicação Geográfica Protegida (IGP), publicado em Diário da República no dia 9 de dezembro deste ano
É feito com creme e fios de ovos, amêndoa, açúcar e canela e embrulhado num papel de alumínio colorido. É o Dom Rodrigo, um doce algarvio, que recebeu agora o estatuto de Indicação Geográfica Protegida (IGP). O processo de certificação foi promovido pela Associação dos Doces Regionais do Algarve (ADRA) e, a partir daqui, fica assegurado que, quem consumir um Dom Rodrigo, terá a certeza de que cada exemplar é confecionado na área geográfica definida - nas 67 freguesias dos 16 concelhos algarvios.
Ninguém sabe muito bem qual a origem do doce, mas acredita-se que tenha surgido em Lagos no século XVIII, no antigo Convento da Nossa Senhora do Carmo. Seria confecionado pelas freiras Carmelitas e, mais tarde, já no século XIX, o seu nome terá sido atribuído em homenagem ao então governador do Algarve D. Rodrigo de Menezes.
Elizabete Barros, pasteleira na fábrica Faro Doce, não tem dúvidas de que o Dom Rodrigo é um doce conventual.
"Leva creme de ovo e as freiras, antigamente, faziam o creme e ficavam com as claras para passar a ferro as batinas dos padres, por isso acreditamos que é um doce conventual", afirma, em declarações à TSF.
"É algarvio, bem tradicional aqui desta zona, desde Portimão, Lagos, Faro, Tavira, é nosso, é do Algarve", garante a sorrir.

Diariamente, Elizabete deita mãos à obra para fazer este doce que é tão típico da região. Garante que até é fácil, mas a verdade é que o Dom Rodrigo dá muito trabalho. É preciso preparar tudo por partes: o creme de ovos, a amêndoa torrada, os fios de ovos, o açúcar caramelizado. Depois, é juntar tudo.
No entanto, à primeira vista, o que caracteriza o Dom Rodrigo é o papel que o envolve. Carla Ramires, filha do proprietário da fábrica Faro Doce, onde trabalha Elizabete, explica que aquela bolinha de doce de ovos, com amêndoa, açúcar e canela, que é embrulhada num papel de alumínio colorido e colocada nas montras das pastelarias, chama a atenção dos compradores.
"Dá no olho", assegura.
"Acaba também por colorir as casas dos algarvios e quem o compra e as pessoas têm curiosidade em saber o que estará lá dentro", adianta.
Nesta fábrica, que já existe há mais de 30 anos, o cheiro a bolos é intenso e faz as delícias de qualquer guloso. Nesta altura do ano a atividade aumenta, porque não há mãos a medir para dar resposta a tantas encomendas para o Natal. Agora, com esta certificação de Indicação Geográfica Protegida apenas a aguardar uma decisão europeia, tanto Carla como Elizabete acreditam que o Dom Rodrigo ficará conhecido além-fronteiras e transportará o ADN de uma região.
"O nosso pastel de nata acabou também por ter essa oportunidade e eu acho que o Dom Rodrigo tem tudo para ter sucesso", acredita Carla.
Em 2019, dez das melhores doceiras de Lagos trabalharam afincadamente durante três dias a fio e conseguiram fazer um Dom Rodrigo gigante com 126,7 quilos de peso. Foi recorde do Guinness Book.