Dos cabeleireiros aos fisioterapeutas. Quem são os novos pobres criados pela pandemia?

Lisboa, 25/04/2020 - Coronavírus, Lisboa uma cidade quase deserta. (Leonardo Negrão / Global Imagens)
Leonardo Negrão/Global Imagens
A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome nunca viu nada "com esta brutalidade". Os pedidos de ajuda amontoam-se e vêm de pessoas com vários contextos profissionais. Esteticistas e fisioterapeutas, por exemplo, são os pobres que a pandemia gerou.
Pedidos desesperados têm chegado todos os dias ao Banco Alimentar Contra a Fome. Isabel Jonet, presidente da grande rede de ajuda nacional, conta à TSF que cabeleireiros, esteticistas e fisioterapeutas são alguns dos pobres gerados pela pandemia de Covid-19. A representante do Banco Alimentar Contra a Fome afirma mesmo que nunca viu nada desta dimensão. "Estou há muitos anos no Banco Alimentar e nunca vi nada com esta brutalidade", assegura.
"Estamos a falar de profissões normais, como fisioterapeutas, instrutores do ginásio, condutores de Tuk-tuk, feirantes, funcionários de manicure, cabeleireiros e empregados de café. São profissões normais que, neste momento, não têm capacidade de poder continuar, o que fez com que estas pessoas não tenham salário ou remuneração." Isabel Jonet fala da existência de pessoas que neste momento se encontram em situações "muito fragilizadas".
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Ao todo, já chegaram ao Banco Alimentar 11.500 pedidos de apoio, referentes a 11.500 famílias, mas Isabel Jonet estima que estes pedidos de ajuda se destinem a "mais de 55 mil pessoas, sendo que às vezes há agregados de oito pessoas que vivem juntas e partilham a casa".
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"Há muitos brasileiros nesta situação. Temos procurado conhecer estas pessoas precisamente para saber qual é o tamanho do agregado, mas também por que é que estão de repente nesta situação, para compreender se, depois de dada a ajuda alimentar, é possível dar outro tipo de ajuda, encaminhando."
Para a presidente do Banco Alimentar, "enquanto não reabrirem as creches, os infantários e as escolas, estas pessoas não têm possibilidades de voltar ao trabalho e estão bloqueadas, continuarão sem remuneração". Por isso, Isabel Jonet deixa um apelo: "Abrimos o canal online ( www.alimentestaideia.pt ) e fazemos este apelo a todos os portugueses, seja na sua atividade profissional, seja a título pessoal, para que não se esqueçam de que muitas pessoas não têm como alimentar os filhos."
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"Começa a haver situações de fome. Há muitos anos que isto não acontecia: temos tido pessoas a ir diretamente ao armazém do Banco Alimentar a pedir ajuda desesperada. Tivemos de montar um gabinete com psicóloga para as acalmar e orientar." No entanto, Isabel Jonet lembra que estes alimentos são encaminhados para instituições, para que a resposta seja mais integrada e eficaz.
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