"Em dois dias, libertámos água que dava para os portugueses consumirem durante um ano"

Créditos: Miguel A. Lopes/Lusa
Além da chuva, as descargas das barragens espanholas levantam uma preocupação acrescida: libertar a água vai "pressionar o rio Tejo em Portugal"
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está preocupada com a subida do caudal dos rios Tejo e Mondego devido à chuva que a depressão Leonardo está a trazer, mas também por causa das descargas das barragens espanholas.
No Sul de Espanha, num cenário semelhante ao português, a chuva intensa está a deixar as autoridades em alerta e distritos sob aviso vermelho. José Pimenta Machado, presidente da APA, explicou à TSF que as descargas das barragens espanholas levantam uma preocupação acrescida: libertar a água vai "pressionar o rio Tejo em Portugal".
Ainda assim, José Pimenta Machado garantiu que Portugal "tem feito o seu trabalho de casa" para minimizar as cheias, libertando "a água das albufeiras portuguesas" para a chuva que vier poder ser acomodada. A solução procura proteger zonas como a da Lezíria do Tejo, em Santarém.
José Pimenta Machado revelou a dimensão das descargas que têm sido feitas nos últimos dias: "Em dois dias, libertámos água que dava para os portugueses consumirem durante um ano. Até ao final desta semana, vamos libertar água que daria para os portugueses consumirem durante dois anos."
A descarga de água das barragens é essencial para instalar a chuva que virá, mas, depois das perspetivas apresentadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o presidente da APA não fica descansado: "Não vamos ter sossego nenhum. Vão ser duas semanas muito difíceis e já esta tem sido muito complicada."
José Pimenta Machado apontou os rios Douro, Cávado e Minho, onde, por exemplo, na zona de Monção, mesmo que "a água salte controladamente", é necessária precaução.
A precipitação também poderá "impactar muito o norte do rio Mondego", notou ainda.