Exoneração da administração da ULS São José: "não se percebe" e Governo "terá de explicar critérios"

Pedro Correia/Global Imagens (arquivo)
À TSF, Xavier Barreto sublinha que a avaliação do trabalho desempenhado por Rosa Valente Matos à frente da ULS de São José é considerado, de forma "unânime", como "positivo"
A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) entende que, caso venha a confirmar-se a exoneração da administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, o Governo "terá de explicar quais foram exatamente os critérios" para esta decisão.
Em causa está uma notícia do jornal Observador, que avança que o Executivo vai afastar a administração da ULS de São José e vai escolher um militante do PSD para o cargo. Rosa Valente Matos não deverá, então, continuar a liderar a instituição, seis anos depois de ter sido nomeada. O mesmo jornal adianta ainda que o mesmo vai suceder-se com a ULS de Coimbra. A TSF já contactou o Ministério da Saúde para obter uma confirmação, mas até ao momento não obteve resposta.
Confrontado com estas informações pela TSF, o presidente da APAH, Xavier Barreto, começa por explicar que é "difícil ter uma reação" antes de existir uma conformação oficial. No entanto, reconhece que "não é fácil perceber qual terá sido a razão para a não recondução" de Rosa Valente Matos.
"Estamos perante uma pessoa com um trajeto de muitos anos na gestão em saúde, que foi presidente da ULS São José, mas já antes disso tinha desempenhado um conjunto de outros cargos. É uma pessoa que conhece muito bem o sistema de saúde. É uma pessoa que pretendia continuar este projeto à frente da ULS de São José", defende.
E é com estes argumentos que afirma que, caso venha a confirmar-se, o Governo "terá de explicar quais foram exatamente os critérios" e o porquê desta decisão, "a bem do sistema de saúde e a bem dos próprios doentes".
Xavier Barreto sublinha que é importante ficar explícito de que forma é que o Executivo liderado por Luís Montenegro "gere" estas nomerações e "o que pretende" com estas.
Insiste, por isso, que a avaliação do trabalho desempenhado por Rosa Valente Matos à frente da ULS de São José é considerado, de forma "unânime", como "positivo", apontando que ao longo dos anos tem "implementado um conjunto de projetos de melhoria". Sobretudo, é um dos hospitais que "não tem tido as suas urgências encerradas" e tem conseguido "inovar".
"É um conselho de administração e uma ULS que se destaca pela positiva. Não é a única, mas é claramente uma das que se destaca pela positiva. E, portanto, tenho uma liderança que tem sabido levar esta ULS para a frente e tem sabido colocar esta ULS na dianteira do Serviço Nacional de Saúde", resume.
O Observador revela igualmente que Miguel Paiva, militante do PSD, foi o nome escolhido por Ana Paula Martins para liderar a ULS de São José. Xavier Barreto esclarece, assim, que não coloca em causa o nome, até porque o social-democrata tem experiência no setor da saúde.
"Uma questão é a não recondução deste Conselho de Administração - e eu acho que isso merece uma explicação por parte do Governo, porque, repito, estavam a fazer um bom trabalho. Outra questão é a pessoa que é nomeada. O doutor Miguel Paiva tem experiência já em vários hospitais, tem um trajeto já de alguns anos no Serviço Nacional de Saúde e, portanto, não está fora de questão", esclarece.
O líder da APAH entende que Miguel Paiva não deve ficar "resumido" à designação de militante do PSD, uma vez que o seu precurso vai "além disso", referindo que o social-democrata é "gestor em saúde e tem uma experiência de muitos anos a gerir ULS e centros hospitalares antes disso".
"Não é um simples militante do PSD. (...) Não está em causa a pessoa", reforça.

