Falhas no SNS? Administradores hospitalares pedem reforço de macas, IPSS disponíveis para acolher internamentos sociais

Foto: TSF (arquivo)
No Fórum TSF, António Nunes considerou que as ambulâncias passam demasiado tempo nos hospitais à espera da libertação das macas. Misericórdia e instituições de solidariedade social estão disponíveis para acolher centenas de pessoas
Na manhã em que a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) se reúne com o INEM para ficarem a conhecer os detalhes do novo sistema de triagem e também numa altura em que INEM e Governo estão sob pressão após terem ocorrido pelo menos duas mortes devido a atrasos no socrro, o Fórum TSF debate as falhas no Serviço Nacional de Saúde. Os administradores hospitalares pedem um reforço de macas e sublinham que os internamentos sociais são uma dificuldade. Por isso, as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), ouvidas pela TSF, garantem que podem receber mais de mil pessoas em situação de internamento social. Só falta o acordo com o Ministério da Saúde.
No Fórum TSF, presidente da LBP, António Nunes acusou o INEM de ter avançado com um novo sistema de triagem sem ter dado conta disso aos bombeiros, admitindo dúvidas quanto à eficácia do novo sistema.
António Nunes considerou que as ambulâncias passam demasiado tempo nos hospitais à espera da libertação das macas.
Para o presidente da LBP, falta alguém que se responsabilize pela gestão deste material: "Que saiba onde estão as macas, como é que se libertam as macas, onde é que se pode ir buscar as macas." Só assim se garante que "as ambulâncias que chegam ao hospital façam imediatamente a transferência do doente para a maca hospitalar".
Exemplifica com um caso no hospital de Setúbal "em que se chegou à conclusão que no hospital havia 24 macas avariadas".
À data, explica, "foram recondicionadas com menos de cinco mil euros e o hospital passou a funcionar com mais de 40 macas".
Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), reconheceu que, relativamente ao caso do homem que morreu à espera de uma ambulância no Seixal, era possível ter-se feito melhor. Avisou, no entanto, que o investimento em macas feito nos hospitais já não é suficiente, pois "foi pensado para um momento que já não é aquilo que temos agora".
Esse momento, avisou Xavier Barreto, é caracterizado por "uma grande procura de serviços de urgência, acompanhada por uma sobrelotação dos internamentos".
No mesmo sentido, Francisco George, antigo diretor-geral da Saúde e especialista em saúde pública, afirmou que o assunto deve "implicar toda a cadeia de autoridade", incluindo "Governo, ministra e deputados" para não voltar a acontecer.
Instuições de solidariedade social disponíveis para acolher pessoas em situação de internamento social
O presidente da APAH defendeu ainda que é essencial resolver o problema dos internamentos sociais, que ocupam entre 15% e 35% das camas nos hospitais.
José Bourdain, presidente da Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC), acusou o Governo de não ter "cuidado melhor da atual rede de cuidados continuados e das camas que estão disponíveis".
O presidente da ANCC lembrou que quatro unidades de cuidados continuados rescindiram contrato com o Estado, totalizando o encerramento de 110 camas, resultado de um "subfinanciamento do Governo".
"Receio que este ano voltemos a encerrar mais camas", alertou José Bourdain.
Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) adiantou que nos próximos dias deve haver acordo com o Ministério da Saúde para ter camas disponíveis para receber pessoas que estão internadas nos hospitais.
"Temos alguns equipamentos em que podemos acolher cerca de quinhentas pessoas com alta hospitalar".
No entanto, Manuel Lemos vincou que as pessoas que estão em regime de internamento social deviam ir para a Rede Nacional de Cuidados Continuados, mas "sem investimento não é sustentável".
Problema que, na opinião do presidente da UMP, não é da responsabilidade da ministra da Saúde, mas sim do ministro das Finanças.
Também as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) querem ajudar a resolver o problema dos internamentos sociais. O padre Lino Maia adiantou que também está em conversações com o Governo para que as IPSS acolham centenas de pessoas.
Ciente de que esta solução não é suficiente, revelou também que "algumas das pessoas que têm alta clínica, mas que não teriam alta social, estão a ser encaminhadas para lares".
"Numa primeira abordagem, ao fim de seis meses nós já podemos acolher 500 pessoas", perspetiva.