Liga dos Bombeiros ainda não conhece nova triagem. António Nunes levanta dúvidas sobre eficácia do sistema

António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses
Foto: Reinaldo Rodrigues (arquivo)
O novo sistema de triagem entrou em vigor a 2 de janeiro, mas só esta quinta-feira é que a Liga dos Bombeiros Portugueses vai ficar a conhecer os detalhes da mudança. António Nunes lamenta que a proposta não tenha sido debatida com os bombeiros e questiona se um sistema universal de triagem funciona num país com tantas disparidades
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) reúne-se, esta manhã, com o INEM. Segundo avança o Diário de Notícias, o encontro serve para os bombeiros ficarem a conhecer os detalhes do novo sistema de triagem. O encontro surge depois de um homem, de 78 anos, ter morrido após ter esperado três horas pelo socorro. À TSF, António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros, confirma que a reunião já estava marcada "há oito dias, para discutir vários assuntos, entre eles as novas metodologias de triagem implementadas unilateralmente pelo INEM".
António Nunes lamenta que as alterações tenham sido feitas sem uma conversa prévia com os bombeiros. "Transportamos mais de 1,2 milhões de pessoas por ano para as urgências hospitalares, qualquer alteração aos métodos de mobilização das ambulâncias devia passar por uma explicação com o principal parceiro", afirma.
Apesar de não conhecer ainda os pormenores do novo sistema de triagem, o presidente da Liga dos bombeiros levanta dúvidas quanto à forma como será implementado no terreno. "O continente tem uma disparidade muito grande entre os vários corpos de bombeiros, os problemas nas grandes cidades não são os mesmos do interior do país. Ter um sistema universal quando as situações são diferentes não nos parece razoável e queremos saber o porquê, como e que implicações é que isso pode ter", questiona.
António Nunes sublinha que os bombeiros "não vão aceitar a implementação de qualquer sistema que possa vir a prejudicar a relação entre os bombeiros e a população local" e admite que, se tal acontecer, a LBP vai reunir com as federações de bombeiros.
O presidente da Liga dos Bombeiros queixa-se também da saturação das urgências. António Nunes defende que a direção-executiva do SNS e as administrações hospitalares "têm de tomar as medidas necessárias para conseguir resolver esta questão". Perante este problema a Liga dos Bombeiros admite retomar o debate sobre a proposta, já antiga, de cobrar uma taxa aos hospitais pelo tempo que as ambulâncias ficam paradas. António Nunes reconhece que a medida não resolve o problema, mas responsabiliza as unidades locais de saúde.
"O ideal é que isso não aconteça. Mas nós não podemos ter uma ambulância oito horas parada à porta do hospital, porque isso acarreta custos elevados para as associações humanitárias. O valor que o INEM paga pela prestação desse serviço contratualizado é fixo. Tanto é fixo por uma hora como é fixo por oito horas. Os custos com recursos humanos, com a imobilização de viatura, com a imobilização de material, são completamente diferentes", acrescenta.