Fecho das urgências de obstetrícia não esteve na origem da maioria dos partos em ambulâncias e na rua

Foto: Telmo Pinto/Global Imagens (arquivo)
O fecho das urgências de obstetrícia não esteve na origem da maioria dos partos em ambulâncias ou na rua. A conclusão consta de um estudo feito a pedido do Governo. O aumento dos partos fora dos hospitais deve-se a uma maior utilização da linha SNS 24
Não houve ruturas com o encerramento de algumas urgências de obstetrícia, garante o estudo "Partos em Portugal: entre a perceção e a realidade" da Direção-Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a que o Jornal Público teve acesso.
O estudo foi feito a pedido do Ministério da Saúde e contraria algumas perceções sobre o aumento de partos na rua ou em ambulâncias.
Assim, entre janeiro e 20 de novembro do ano passado, houve 70 bebés a nascerem fora dos hospitais, mas apenas seis, ou seja, 9% poderiam ter sido evitados, se as urgências estivessem abertas.
O estudo conclui que o aumento de partos extra-hospitalares deve ser atribuído a uma maior intervenção do INEM, que poderá estar ligada a uma maior utilização da linha SNS 24.
O documento revela ainda que, ao contrário do que chegou a ser afirmado pelo Ministro da Saúde, a maioria das grávidas era acompanhada pelo SNS. Apenas em dois casos as mulheres não estavam a ser seguidas pelos cuidados de saúde primários.
No Parlamento, a ministra Ana Paula Martins associou os partos em ambulâncias às mulheres imigrantes sem acompanhamento durante a gravidez. Era, afinal, uma perceção contrariada pela realidade dos números da direção executiva do SNS.