
Créditos: Manuel de Almeida/Lusa (arquivo)
As primeiras entradas na unidade hospitalar foram resultantes do impacto direto da depressão, na madrugada de quarta-feira, e, a meio da tarde desse mesmo dia, começaram a entrar feridos na sequência de trabalhos de limpeza e de reconstrução
O Hospital Santo André, em Leiria, recebeu 756 feridos com traumas desde o início da depressão Kristin, que ocorreu na quarta-feira, disse à Lusa esta terça-feira o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
"Nestes últimos sete dias, foram 756 doentes traumatizados que foram atendidos no hospital. Setenta e oito por cento desses doentes eram doentes com urgência alta, amarela e laranja", afirmou à agência Lusa Carlos Cortes, que se reuniu com a administração e diretores de serviço da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria e depois com o presidente da Câmara de Leiria esta terça-feira.
Segundo o bastonário, "o hospital resolveu praticamente todas as situações", referindo que "só 22 desses [feridos] é que foram transferidos para outras unidades hospitalares que têm apoiado", Oeste, Coimbra e Figueira da Foz.
"O maior impacto foi na zona da traumatologia", precisou.
As primeiras entradas na unidade hospitalar foram resultantes do impacto direto da depressão, na madrugada de quarta-feira, e, meio da tarde desse dia, começaram a entrar feridos na sequência de trabalhos de limpeza e reconstrução.
O bastonário destacou ter havido uma "resposta fabulosa do hospital, tanto no aspeto da organização, encabeçada pelo conselho de administração, que teve logo uma preocupação em resolver um conjunto de problemas, não só dentro do hospital, mas também dando apoio a pessoas que estavam sem comunicações, doentes mais fragilizados, com determinadas patologias, que têm de ter mais cuidados", referiu, dando como exemplo a epidemiologia ou a hemodiálise.
Carlos Cortes salientou ter havido "uma entrega muito importante e isso é algo notável", referindo-se a todos os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes operacionais.
Questionado se houve médicos que se voluntariaram para trabalhar no hospital ou nas zonas afetadas, Carlos Cortes disse desconhecer.
"Aquilo que nos foi transmitido pelo conselho de administração é que as equipas eram suficientes para tomar conta de todas as situações, nomeadamente no serviço de Urgência, nos blocos operatórios", adiantou, precisando ter havido alterações na atividade assistencial.
O bastonário explicou que a Ordem disponibilizou ajuda para comunicar com médicos na eventualidade de ser necessário.
"Quando há normalmente um impacto destes há uma reação, mas depois há um segundo embate e aí pode ser necessário porque as pessoas cansam, ficam exaustas, é muito difícil manter uma situação destas de entrega total durante muito tempo. E aí a Ordem dos Médicos também ofereceu ajuda e propusemos também ao Ministério da Saúde toda a nossa colaboração para os profissionais que foram necessários", acrescentou Carlos Cortes.
A área de influência da ULS da Região de Leiria corresponde aos concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Compreende três hospitais (Leiria, Pombal e Alcobaça) e dez centros de saúde.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
