"Para que as crianças voltem a ter alguma normalidade." Várias escolas de Leiria reabrem quarta-feira

Miguel A. Lopes/Lusa
"Apesar de não terem eletricidade, mas sendo durante o dia, vamos condicionar um bocadinho os horários de funcionamento, mas têm água", explica Luís Lopes, vice-presidente da Câmara de Leiria, à TSF
Várias escolas do concelho de Leiria vão reabrir já esta quarta-feira para que "as crianças voltem a ter alguma normalidade".
Em entrevista em direto nos noticiário das 15h00 da TSF, Luís Lopes, vice-presidente da autarquia, avisa que nem todas as escolas estão em condições de abrir e outras estarão "muito condicionadas".
"Apesar de não terem eletricidade, mas sendo durante o dia, vamos condicionar um bocadinho os horários de funcionamento, mas têm água. Outras não vamos conseguir reabrir de todo porque não têm nem eletricidade nem água. E outras não vão reabrir porque têm muitos danos e ainda não encontrámos um local alternativo", explica o autarca.
Luís Lopes informa que há 38 mil contadores sem eletricidade e que "a reposição está a ser de forma gradual, mas lenta".
"Comparando com outros episódios anteriores que tivemos no concelho, em que a última freguesia teve eletricidade passado sete dias, nós já estamos há sete dias e ainda nem metade do concelho tem cobertura de eletricidade, o que logicamente nos preocupa, quer pelo conforto térmico de muitas destas pessoas, mas também pelo facto de não termos comunicações e mesmo o reabastecimento de água fica muito condicionado", lamenta.
Luís Lopes afirma que não compreende a demora na resolução deste problema "por variadíssimas razões".
"Cada vez que acontece um episódio destes, andamos sempre a falar em soluções e redundâncias e mobilização de geradores, e outras circunstâncias. O que eu estou a dizer daqui a se calhar a três, quatro, cinco meses vamos confirmar isso no terreno, vamos refazer tudo tal qual como estava", critica, fazendo a comparação com a tempestade Leslie, que afetou a mesma região em 2018.
O vice-presidente da Câmara de Leiria explicou ainda que a operação "Telhado Solidário" procura envolver "todas as empresas de construção civil e pessoas que tenham essa capacidade" para formar equipas que ajudem na "recuperação e reabilitação de todos os telhados que são necessários", que a autarquia contabiliza que sejam milhares.
"Este é um primeiro passo e demora o tempo que demorar", avisa.
Luís Lopes agradece ainda o apoio que tem sentido vindo de outros municípios do país: "Tem sido uma mobilização nacional. Nós estamos a receber contactos de todo o país e já recebemos camiões vindos um pouco de todo o país, tanto que vamos montar um estaleiro, uma loja, digamos assim, para que se perceba o conceito de venda de materiais de construção e que logicamente não é para vender, é para doar a todas as pessoas que precisam. Vamos aumentar o espaço para conseguirmos manter essa resposta, porque estamos a receber muitos, muitos, muitos donativos."
O autarca afirma que mais de mil pessoas já pediram ajuda nos três locais onde está "a ceder quer alimentos, quer materiais de construção, quer lonas e plásticos", além daquelas que estão a ser ajudadas nas juntas de freguesia do município.
"Estamos a falar num número acima das mil por dia e que irá manter-se ou até aumentar, porque à medida que as pessoas vão tendo comunicações e há restabelecimento de corrente elétrica e passam a ter esta informação, também vêm procurar-nos", prevê.
