
Créditos: Romain Doucelin/Hans Lucas via AFP
O setor cimenteiro português avançou esta sexta-feira com uma proposta de sequestro de carbono, armazenado no fundo do mar
A Associação Portuguesa de Cimento (ATIC) lançou um relatório onde sugere a captura de carbono e o seu armazenamento numa faixa de 200 quilómetros, em poços, que vão ser furados ao longo da costa portuguesa.
"A infraestrutura proposta prevê uma rede de gasodutos de transporte de cerca de 660 km onshore e 25 km offshore, abrangendo o país de norte a sul e integrando aproximadamente 20 emissores industriais - responsáveis por futuras emissões de cerca de dez milhões de toneladas de CO2 anuais", lê-se no documento.
Os cimenteiros sublinham que "a opção mais estudada e adequada para o armazenamento nacional de CO2 é uma formação geológica offshore na bacia sedimentar lusitânica, sendo que as avaliações geológicas iniciais indicam uma capacidade de armazenamento de até 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o suficiente para permitir a descarbonização" das cimenteiras durante várias décadas - "estimando-se que a capacidade total da bacia lusitânica seja de cerca de 3 giga toneladas".

2,2 mil milhões
Este é um investimento que prevê despesas de capital estimadas em cerca de 2,2 mil milhões de euros, "investidos entre 2027 e 2056, com uma despesa operacional média próxima de 140 milhões de euros por ano entre 2046 e 2065".
Para o consultor Filipe Torres, da BCG, "a perspetiva que há por parte da indústria é que este investimento ficará a cargo de um operador ou de operadores, que são responsáveis pela gestão e operação desta infraestrutura".
"O que nós temos de garantir é que existe um enquadramento legal e um enquadramento de modelo de negócio que permita a esses operadores olharem para esta oportunidade como algo viável", completa.
Presente na apresentação desta proposta esteve a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, que diz que é preciso estar vigilante quanto a este projeto. "Um gasoduto com esta extensão e depois a parte de armazenamento do CO2 tem impactos ambientais que têm de ser estudados. Depois há a parte regulamentar, licenciamento ambiental, e o modelo financeiro, que pode passar pelo financiamento europeu", justifica.
O relatório agora divulgado afirma que "Portugal encontra-se num momento crítico do seu futuro industrial e ambiental. À medida que a União Europeia reforça o Sistema de Comércio de Licenças de Emissão (CELE), as indústrias dependentes de emissões difíceis de abater enfrentam pressões económicas, políticas e sociais crescentes", daí que a solução de captura e de armazenamento de carbono surja "como a única forma viável para a descarbonização total", adiantam os cimenteiros.