O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas defendeu que as relações com Angola «não podem ser um problema», referindo-se à tensão que marcou nas últimas duas semanas as relações bilaterais.
A tensão deveu-se à publicação no jornal português Expresso de uma notícia sobre a investigação de que o Procurador-Geral da República angolano é alvo por parte do Ministério Público português.
José Cesário, que chegou na segunda-feira a Luanda para uma visita de trabalho de 48 horas, defendeu que a questão tem de ser ultrapassada.
«Tem de ser. Isto não pode ser um assunto. Nós temos de ter com Angola as melhores relações possíveis. Os dirigentes angolanos são pessoas que nos merecem toda a consideração, a mesma consideração que nós exigimos aos outros dirigentes de outros países tenham connosco», disse.
Em causa estão os efeitos da notícia publicada pelo semanário Expresso na edição de 23 de fevereiro, em que se referia que João Maria de Sousa estava a ser investigado pelo Ministério Público de Portugal, por alegada "suspeita de fraude e branqueamento de capitais".
Na sequência da notícia, o estatal Jornal de Angola, em duas ocasiões, nos dias 25 e 27 de fevereiro, criticou duramente a fuga de informação e as relações bilaterais.
Concretamente, no editorial publicado a 27 de fevereiro, o Jornal de Angola defendeu o fim dos investimentos angolanos em Portugal, considerando que ao contrário de outros, o investidor angolano não é bem-vindo.