
José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento
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O presidente do Banco Espírito Santo Investimento admite ter falado com «vários membros do Governo» sobre as privatizações, mas garante que não há nenhuma irregularidade nesses contactos.
O presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), José Maria Ricciardi, revela, em comunicado, que conversou com «vários membros do Governo» para dizer que discorda da forma como o processo das privatizações está a ser conduzido, mas rejeita qualquer «irregularidade».
José Maria Ricciardi esclarece que a intenção dos contactos foi a de transmitir a sua discordância pelo facto de «o Estado ter contratado uma empresa americana de assessoria financeira Perella por ajuste direto quando», acrescenta o presidente do BESI, «o rigor e a ética» exigiam que a escolha fosse feita «através de concurso público».
Citando um comunicado, assinado por José Maria Ricciardi, as versões eletrónicas do Diário de Notícias (DN) e do Expresso adiantam que José Maria Ricciardi admite ter falado «com o primeiro-ministro e com vários membros do Governo» sobre os processos de privatização em curso, mas considera que esse tipo de contactos não constitui qualquer ilícito, nem irregular ou sequer censurável».
O esclarecimento de Ricciardi surge no mesmo dia em que o DN avançou que a escuta que envolve Passos Coelho foi enviada para o Supremo Tribunal de Justiça porque nesse telefonema um banqueiro terá tentado pressionar o chefe do Governo para que um certo processo de privatização seguisse num determinado sentido. Este foi, pelo menos, o entendimento do procurador Rosário Reixeira.
O magistrado que dirige a operação "Monte Branco" considerou o teor da conversa relevante para a investigação, que trata suspeitas de branqueamento de capitais e tráfico de influências, e quer que faça parte do processo.
Para isso é preciso que o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, dê luz verde.
De acordo com a edição desta semana do semanário Expresso o cd com a gravação está no gabinete de Noronha do Nascimento desde 8 de outubro.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já se manifestou favorável à divulgação da conversa telefónica em que terá sido escutado e que faz parte da investigação ao chamado caso "Monte Branco".
Notícia atualizada às 18h19