"Não é com mais PSP ou GNR que se resolve problema no aeroporto Humberto Delgado." OSCOT aponta "falta de organização"

Pedro Correia
O responsável por este observatório considera que o Governo tem de identificar rapidamente as falhas existentes
O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considera que com a suspensão do sistema informático do controlo de fronteiras não está posta em causa a segurança do aeroporto de Lisboa. O coronel Francisco Rodrigues julga, no entanto, que esta aerogare vive um problema "organizacional" e não é com mais elementos da PSP ou GNR que a situação se vai resolver.
Apesar do Diário de Notícias, na edição desta quarta-feira, avançar que a Comissão Europeia detetou "deficiências graves" no controlo de segurança numa inspeção feita entre os dias 15 e 17 deste mês, Francisco Rodrigues acredita que pode ter sido algo pontual. "Embora, naturalmente, não tenha tido acesso aos relatórios, pode ter estado em causa, pontualmente, o aligeirar de procedimentos, mas isso não significa pôr em causa na plenitude as condições de segurança que devem estar garantidas para a entrada desses cidadãos de países terceiros", afirma igualmente.
O presidente do OSCOT considera, contudo, que não é com mais elementos da PSP ou GNR que o problema será resolvido.
"Quer a entidade responsável pelo aeroporto Humberto Delgado, quer o Estado português precisam de perceber e identificar os verdadeiros problemas e fazer qualquer coisa", assinala.
O que está em causa, na opinião do presidente desta organização não governamental, é a falta de espaço e a má organização do aeroporto. "Não é com mais PSP, GNR ou mais outra coisa qualquer que vamos conseguir resolver este problema, que é organizacional e espacial", acrescenta.
"Não pode ser com pensos rápidos que servem só para estancar um ferimento pontual e não serve para estancar hemorragias contínuas", assegura.
Nesta situação, que se prolonga no tempo no aeroporto Humberto Delgado, Francisco Rodrigues considera que o Governo também não tem tido a melhor forma de comunicação aos cidadãos. "Temos um grande problema e não é apenas deste Governo, são todos os governos passados, é a falta de comunicação", refere. "Quando não existe informação sobre o que se passa, seja no caso da segurança, ou não só, (...) as pessoas podem levantar uma série de dúvidas que são legítimas", acrescenta.