"Não é efabulação de pré-campanha." Autoras do livro #MeToo contactadas há dois anos por ex-assessora da IL

João Cotrim Figueiredo
Créditos: Paulo Novais/EPA
Inês Bichão, antiga assessora parlamentar, contactou Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque em tom de "confidência" por ser alvo de assédio sexual "por parte de um homem poderoso" no partido
As autoras do livro "#MeToo Um Segredo Muito Público" revelaram que a ex-assessora parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) já as tinha contactado em 2024 por ser alvo de assédio sexual "por alguém muito influente" no partido.
Nas redes sociais, Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque denunciaram que tiveram conhecimento através da comunicação social de que a mulher que as tinha abordado, durante a apresentação do livro "#MeToo", era Inês Bichão, antiga assessora.
"Este episódio não é o mesmo que ter presenciado assédio; prova, todavia, que a acusação de assédio que ontem foi noticiada não é uma efabulação de pré-campanha. Há, pelo menos, quase dois anos que ela foi feita a uma de nós em tom de confidência", escreveram.
Perante "mais um caso de linchamento mediático de uma mulher que denunciou assédio por parte de um homem poderoso", as autoras sentiram-se na obrigação de intervir e lamentar a "chuva de acusações de falsidade e de oportunismo". Na publicação, destacaram ainda "a coragem que é necessária para arriscar ter a sua vida devastada quando se denuncia um abusador".
"Acusar mulheres que denunciam torna-se o desporto favorito de tantos e de tantas e a proteção do acusado transforma-se em desígnio nacional: foi assim com Cristiano Ronaldo, é assim com João Cotrim de Figueiredo."
Uma ex-assessora parlamentar da IL partilhou no domingo na sua rede social Instagram, em contexto restrito e não público, uma publicação através da qual denuncia ter sido assediada sexualmente por Cotrim Figueiredo.
Nessa sequência, na segunda-feira perante essa informação e acesso à publicação, os jornalistas confrontaram o antigo líder da IL que negou imediatamente essa denúncia, tal como o fez nos dias seguintes.
Entretanto, já esta quinta-feira, a ex-assessora Inês Bichão, em comunicado enviado à agência Lusa, adiantou que a publicação sobre um alegado assédio sexual visando Cotrim Figueiredo foi difundida sem o seu consentimento, acrescentando que "a veracidade dos factos" envolvendo o candidato presidencial será apurada nos tribunais.

