Nível do Sado baixou, mas autarca de Alcácer do Sal continua preocupada: "A chuva não parou"

José Sena Goulão/EPA
"Preocupa-nos o que pode acontecer quando toda essa água chegar às barragens, a água da chuva, e depois quando toda a água das barragens chegar aqui à nossa zona de Alcácer", diz Clarisse Campos à TSF
O nível do rio Sado desceu cerca de 2 metros, mas a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal continua preocupada com o que pode acontecer nas próximas horas e nos próximos dias.
"Mais aliviada não estou. Temos menos água na zona baixa da cidade, menos um pouco, mas a chuva não parou desde a madrugada de hoje. E as barragens, que é aquilo que me preocupa sempre, vão continuar a descarregar, porque não conseguem conter mais água. Preocupa-nos o que pode acontecer quando toda essa água chegar às barragens, a água da chuva, e depois quando toda a água das barragens chegar aqui à nossa zona de Alcácer. E preocupa-nos se vamos voltar os níveis de água a subir novamente. Provavelmente entre domingo e segunda-feira, vamos. Estamos a aguardar para perceber o que é que vai acontecer nesses dias e estamos a tomar precauções nesse sentido", diz Clarisse Campos à TSF.
A autarca afirma que nos últimos dias foram retiraram das suas habitações mais de 200 pessoas: "Contactámos, ao longo do dia de ontem, todas as pessoas que ainda permanecem nas suas casas nesta zona. No total já retirámos, até hoje, 203 pessoas, 15 delas estão alojadas na Santa Casa da Misericórdia. Outras ficaram em casas de familiares e tentámos verificar se aquelas pessoas que permanecem em casa, nas zonas inundadas, se têm condições para permanecer, se estão contactáveis. Portanto, estivemos a garantir essas seguranças. Essas pessoas não querem sair e, portanto, foi esse acompanhamento que fizemos para, caso, a situação agrave, nós não percamos o contacto destas pessoas e possamos ajudá-las naquilo que for necessário."
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal refere que há muitas casas e estabelecimentos com grande nível de destruição, bem como caminhos no concelho que têm deixado populações isoladas.
"Nós temos muita coisa destruída, muitas estradas destruidas, o acesso do Forno da Cal, neste momento, a estrada de acesso ficou destruída, aquele bairro está isolado. Criamos ontem uma situação alternativa, porque o bairro fica encostado à linha de caminho de ferro, com um veículo, um género de um automotor, é uma máquina que leva às pessoas pela linha férrea até à estação. Não é uma solução que nos satisfaça para transportar as pessoas, mas tem conseguido fazer com que nós possamos levar comida às pessoas que vivem nesse bairro. Estamos a tentar verificar como é que arranjamos uma solução mais definitiva", explica.