
Passos Coelho
O primeiro-ministro acusou o PS de optar pela «radicalização» e ir contra o interesse do país ao apresentar a moção de censura.
No parlamento, Pedro Passos Coelho considerou que, ao pretender eleições e um novo Governo, o PS está a dizer que pretende um segundo programa de assistência, com mais tempo e mais dinheiro.
O primeiro-ministro interpelou António José Seguro, perguntando a que austeridade se refere o PS quando incita ao fim dos sacrifícios.
«Quando afirma perante o exterior, do qual dependemos financeiramente, que pretende eleições e um novo Governo para renegociar o programa de assistência, está de facto a dizer que pretende um segundo programa de asssistência, com mais tempo e mais dinheiro, não porque a adversidade externa o pudesse hipoteticamente tornar inevitável mas porque enquanto futuro Governo decidiria voluntariamente não cumprir o programa em vigor», afirmou.
«O PS, quando incita ao fim da austeridade, a que austeridade se refere realmente?», questionou.
Passos Coelho lembrou que foi um Governo socialista que incluiu no PEC IV a proposta de contribuição sobre pensões acima de 1500 euros e que, agora, o PS solicita ao Tribunal Constitucional que considere inconstitucional.
Por outro lado, alegou que o PS foi «o partido que mais aumentou o défice», que «menos reformas estruturais realizou», que «mais poupança destruiu e mais desequilíbrio externo provocou».
Quanto à atuação do Governo PSD/CDS-PP, reclamou que está a diminuir o défice, que é «a maioria que mais reformas tem produzido em Portugal», que «mais conseguiu elevar a poupança e reduzir o défice da balança corrente».
«Em suma, é espantoso, para não dizer perverso, que o partido que conduziu o país ao precipício financeiro e que negociou o resgate externo apareça agora a censurar a maioria e o Governo apenas porque estamos a cumprir os termos desse resgate e damos a cara pelo ajustamento inevitável a que nos conduziram. A censura apresentada pelo PS não é apenas perversa e injustificada face aos resultados obtidos. Ela é também infeliz no tempo em que se conjuga», concluiu.