Passos quis dar «noção realista» do impacto das medidas de que Portugal poderá beneficiar
O primeiro-ministro afirmou que quis dar uma «noção realista» do significado das medidas de que Portugal poderia beneficiar no âmbito da igualdade de tratamento, afirmando que a comunicação social lhes deu um «impacto desproporcionado».
Acusado pelo deputado do BE João Semedo de ter defendido nos últimos dias posições diferentes sobre as medidas que se poderiam aplicar a Portugal na sequência do acordo obtido pela Grécia, Passos Coelho recusou que tenha mudado de opinião.
O primeiro-ministro justificou que na entrevista que deu à TVI no final de novembro «quis dar uma noção realista da importância que essas medidas tinham» porque «no espaço público órgãos de comunicação social estavam a sugerir um impacto para Portugal absolutamente desproporcionado face àquilo que estava em jogo».
«Eu dei uma dimensão realista daquilo que poderia ser a consequência para Portugal daquelas três medidas que se inserem no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira que, à luz do princípio de igualdade de tratamento, se podem aplicar a Portugal. O meu discurso não mudou nessa matéria», disse Passos Coelho, no debate quinzenal com os deputados.
O primeiro-ministro sublinhou que as três medidas de que Portugal poderá beneficiar no âmbito do Fundo de Estabilização Económica e Financeira excluem «o perdão de juros».
«Disse isso hoje, disse isso em Cabo Verde, disse isso na entrevista à TVI, não tenho dito outra coisa», afirmou, acrescentando que o interesse português é «procurar um alisamento das necessidades de refinanciamento externo de Portugal» e obter «um maior alívio no pagamento de juros e não perdão de juros, ao contrário do que para aí se diz».
«O que pode existir é diferimento do pagamento de juros mas vão a contas nacionais todos os anos. Lá está o dinheirinho que nós devemos em juros», sublinhou.
Sobre o mesmo assunto, a deputada Heloísa Apolónia acusou o ministro das Finanças e o primeiro-ministro de mudar de posição na sequência dos «ditames do governo alemão e francês que disseram 'não senhor, não beneficiam'».
«Não podem fazer das pessoas uns completos tolos. Pelos vistos ninguém percebeu o que o Governo disse, nem o próprio Presidente da República», criticou.
A deputada do PEV questionou depois Passos Coelho sobre quais os benefícios para os portugueses das medidas de que Portugal poderá beneficiar - «alongamento de maturidades dos empréstimos», a possibilidade de haver «deferimento no pagamento dos juros dos empréstimos» e um corte de 10% nas margens administrativas.