"Permitira aliviar as urgências." Farmácias querem disponibilizar medicamentos que ainda precisam de receita médica

Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens (arquivo)
A Associação Nacional de Farmácias (ANF) defende que a situação já se verifica em outros países
A presidente da ANF está na "expectativa" de que seja possível, num futuro próximo, as farmácias poderem disponibilizar aos utentes medicamentos que ainda precisam de ser receitados por um médico. Em declarações à TSF, Ema Paulino apresenta dois exemplos em que essa situação poderia ser possível: infeções de garganta e urinárias.
Se um doente chega com uma dor de garganta, "já há testes disponíveis nas farmácias que podem diferenciar se é uma infeção viral ou bacteriana", explica. "Noutros países já é possível às farmácias dispensarem o antibiótico perante um resultado do teste positivo", assegura. O mesmo sucede com as infeções urinárias, onde já existem testes que confirmam a doença.
"Há situações que são apresentadas nas farmácias que nós não conseguimos resolver, mas temos a perspectiva e a expectativa que acompanhemos outros países desenvolvidos nesta matéria", adianta. Ema Paulino considera que, desta forma, a situação "permitiria aliviar as urgências e as consultas não programadas".
Um relatório divulgado esta terça-feira revela que mais de metade das pessoas recorrem à automedicação. O estudo afirma que esta é uma prática mais disseminada do que se pensa, sendo que a maioria das pessoas que o faz não diz ao médico. O estudo faz parte da Cátedra em Economia da Saúde, enquadrada na Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação "la Caixa", o BPI e a Nova SBE.
A presidente da Associação Nacional de Farmácias admite que, em alguns registos "voluntários" que têm sido feitos em várias farmácias do país, 93% das situações apresentadas pelos utentes conseguem ser resolvidas no local. "As pessoas utilizam a farmácia para a apresentação dos seus problemas e, se for possível tratar diretamente, preferem do que ter de se deslocar a uma instituição para consulta médica", assegura. Geralmente as pessoas pedem medicamentos para "sintomas ligeiros" e, sempre que considerem necessário, a presidente da ANF garante que os farmacêuticos aconselham a observação por um médico.
As solicitações também variam muito de acordo com a sazonalidade.
"Nesta altura do ano são muitas situações relacionadas com infeções respiratórias, como dor de garganta, mau estar geral, dor de corpo", refere. Alergias, dores musculares ou lombalgias são outras doenças que levam os utentes a procurarem o conselho de um farmacêutico e que podem ser tratadas com medicamentos não sujeitos a receitas médicas.