Algarve: pescadores do polvo vivem "situação dramática" com "embarcações paradas há um mês"

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Os pescadores algarvios não podem trabalhar devido às tempestades e também esperam pelo subsídio da época do defeso que deveria ter sido pago o ano passado
Esta segunda-feira amanheceu mais calma, mas as recentes tempestades e depressões têm impedido os pescadores de polvo da costa algarvia de trabalhar e sair dos portos de pesca. Em declarações à TSF, a diretora da Associação de Armadores de Pesca da Fuseta, Sónia Olim, afirma que se trata de uma "situação dramática" em que as "embarcações não conseguem ir para o mar" devido às tempestades.
Depois de um mês sem poder trabalhar, muitas famílias vivem agora em "más condições financeiras" recorrendo a empréstimos para "conseguir sustento e alimentação". Sónia Olim dá conta do desespero dos trabalhadores que não conseguem sustentar as famílias, uma vez que "não indo para o mar, não há entrada de dinheiro".
"Estes tripulantes e armadores estão há mais de um mês sem receber um tostão", reitera.
Esta é uma situação transversal a todo o tipo de pesca, mas "quem trabalha com o polvo está mais indignado". A diretora da Associação de Armadores de Pesca da Fuseta adianta que entre setembro e outubro do ano passado "houve uma paragem de defeso", isto é, uma pausa na pesca do polvo para proteger o ciclo biológico da espécie. Esta seria uma paragem com direito a subsídio para todos os pescadoresm, não fosse o facto de "até ao momento, não terem recebido nada".
"Está toda a agente à espera desse dinheiro que, face à situação que estão a viver agora, dava muito jeito para conseguirem sustentar as famílias", confessa.
Já foram feitos pedidos de ajuda, tanto para o subsídio em atraso que não foi pago na altura do defeso, como para os prejuízos consequentes das tempestades. De acordo com Sónia Olim, o secretário de estado das pescas, Salvador Malheiro, garatiu que "tentaria agilizar" todo o processo para que os pescadores recebessem o subsídio do ano passado, mas até ao momento só foram aprovadas seis das 80 candidaturas.
No que diz respeito às consequências das tempestades Kristin, Leonardo e Marta, existe um fundo de compensação salarial das pescas que a Associação de Armadores de Pesca da Fuseta "já solicitou que fosse ativado". Ainda assim, Sónia Olim receia que "mesmo que o ativem, é preciso fazer as candidaturas e os pescadores nunca terão o dinheiro em tempo útil".
Sem qualquer perspetiva para aquele que poderá ser o futuro, os pescadores do polvo no Algarve pedem agora uma boia de salvação com ajudas mais rápidas e eficazes.