PJ detém 37 suspeitos de terem fundado grupo "criminoso" para "intimidar e perseguir" imigrantes

Pedro Correia (arquivo)
Foram igualmente apreendidos um "vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas". Os visados são suspeitos de "terem fundado uma organização criminosa" cujo objetivo é "intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas"
A Polícia Judiciária deteve esta terça-feira 37 suspeitos com "antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais" na sequência de uma megaoperação de combate a crimes de ódio cometidos contra imigrantes.
Em causa estão crimes relacionados com a prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas.
Em comunicado, esta força policial revela que foram ainda constituídos mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias.
Os detidos têm idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos e são acusados de adotar e difundir ideologia nazi, "inerente à cultura extrema direita radical e violenta". Os suspeitos agiam com base em crenças "racistas e xenófobas, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
Foram igualmente apreendidos um "vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas".
"Os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à descriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções", lê-se na nota.
O operação, apelidada "Irmandade", decorreu em todo o país e contou com 300 elementos de diversas unidades da PJ.
Os 37 detidos serão presentes na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação das respetivas medidas de coação.
O inquérito está ao encargo do DIAP de Lisboa.
