
Masaki Furumaya/The Yomiuri Shimbun via AFP
Chovem estrelas há dias e hão de continuar a chover nos próximos. Estrelas ou antes pedaços de um asteroide que podem cruzar os céus, junto à Terra a um ritmo que pode chegar aos 120 "risquinhos" por hora. Chama-se geminídeas por parecer que caiem da constelação de gémeos
O ponto alto deste espetáculo celeste ocorre habitualmente na noite de 13 para 14 de dezembro, por isso, esta noite esteve aberto o Observatório do Centro Ciência Viva de Constância.
Nome a propósito, Máximo Ferreira, diretor do centro, é astrónomo. À TSF começa por explicar o nome desta "borrasca de estrelas" que vai prolongar-se por mais alguns dias. "O nome géminídeas está relacionado com o facto de parecer que estes traços luminosos têm origem na constelação de gémeos. Regra geral, as constelações onde se encontra o chamado "radiante" - o ponto de onde parecem surgir as estrelas cadentes - estão abaixo do horizonte. Neste caso, temos a sorte de, logo no início da noite, a constelação de gémeos surgir a Este".
Para quem tiver dificuldade em identificar a constelação, Máximo Ferreira aconselha a procurar Júpiter, "o planeta mais brilhante nesta época do ano". Acontece que, em 2025, o astro está particularmente luminoso, "a Este, em plena constelação de gémeos".
Para ver bem e mais estrelas é preciso algum sacrifício. O astrónomo recomenda "um bom agasalho, alguma paciência e passar algum tempo ao ar livre, de preferência longe das luzes das cidades".
É nesses locais mais escuros, e felizmente não há luar, que se poderão ver os tais 120 meteoros por hora. "Não significa exatamente um espetáculo de fogo de artifício, mas sim vários traços luminosos que surgem em diferentes direções", esclarece.
Binóculos e telescópios estão praticamente proibidos, é tão rápida queda da estrela, "cai" a tal velocidade que se pode estar a focar num ponto e passar-nos mesmo ao lado um meteoro.
Seja como for, Máximo Ferreira faz as contas às probabilidades e beleza do momento e conclui que "observar três ou quatro estrelas cadentes em cerca de vinte minutos já constitui um bom espetáculo e uma recompensa satisfatória por enfrentar um pouco de frio".
O Centro Ciência Viva de Constância, como habitualmente aos sábados, esteve aberto para pessoas com marcação prévia.