
Praia de Matosinhos
Créditos: Pedro Granadeiro (arquivo)
A proposta está em discussão pública desde o início do mês e assim vai manter-se até dia 2 de fevereiro. De todas as praias de mar do continente, Matosinhos salta à vista, porque é a única a mercer o alerta da Agência Portuguesa do Ambiente
A Área Metropolitana do Porto pode perder, já este ano, uma das maiores e mais emblemáticas praias da região. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) colocou em consulta pública uma proposta de desclassificação da praia de Matosinhos, que poderá deixar de ser considerada zona balnear.
A informação foi avançada esta manhã pelo Jornal de Notícias e a consulta pública decorre desde o início do mês, prolongando-se até 2 de fevereiro.
Entre todas as praias marítimas do continente, Matosinhos destaca-se por ser a única sinalizada com alerta pela APA. De acordo com a proposta, a classificação da qualidade da água foi considerada "má" em 2024, após várias análises terem detetado contaminação por bactéria E. coli, o que levou à interdição da praia em diversos períodos.
O relatório de 2025, consultado pela TSF, indica que durante a época balnear - entre 14 de junho e 14 de setembro - a praia esteve interditada durante 14 dias devido a contaminação fecal. As possíveis origens apontadas são a ribeira da Riguinha, a sul, e o rio Leça, neste caso associado a uma avaria numa estação elevatória. A APA refere ainda o impacto da intensa circulação de embarcações na zona.
A Agência Portuguesa do Ambiente esclarece que a manutenção do estatuto de zona balnear em 2026 dependerá da definição, por parte da Câmara Municipal de Matosinhos, de um programa de medidas concretas para combater as fontes de poluição. Esse plano terá de contar com acompanhamento da APA e da Autoridade Regional dos Recursos Hídricos, bem como com parecer favorável da Autoridade Regional de Saúde.
Segundo o Jornal de Notícias, a autarquia garante estar atenta à situação e já iniciou um programa de melhoria da qualidade da água, que inclui reforço da vigilância, intervenções nas ribeiras, deteção de ligações indevidas de efluentes - que poderão chegar às 900 - e a realização de vários estudos científicos. A Câmara aponta ainda o excesso de gaivotas como um fator adicional para a proliferação de bactérias.
Outras praias em risco e novas zonas balneares
A praia de Matosinhos é, para já, a única praia marítima do continente em risco de desclassificação. No entanto, há também dez praias fluviais no interior do país com o mesmo risco, localizadas em Marco de Canaveses, Ponte da Barca, Sabugal, Arganil, Góis, Seia, Castelo Branco, Figueiró dos Vinhos e Manteigas. Na Região Autónoma da Madeira, estão igualmente em risco a Doca do Cavacas, no Funchal, e a Quinta do Lorde, no Machico.
Em sentido inverso, a APA propõe a criação de uma nova zona balnear marítima na Póvoa de Varzim, na praia de Santo André. No centro do país, destaca-se ainda o reconhecimento oficial da praia fluvial do Cerejal, em Góis, muito frequentada há vários anos e conhecida pela concentração motard de agosto. Estão também propostas novas zonas balneares fluviais em Vila Nova de Poiares (Moenda e Moura Morta) e em Celorico da Beira, na Ratoeira.
