Responder a incêndios, tempestades e cheias: Escola Nacional de Bombeiros inicia formação da população com 18 padres

Américo Aguiar
Créditos: Carlos Pimentel/Global Imagens (arquivo)
O cardeal Américo Aguiar, capelão dos bombeiros portugueses, é um dos formandos do curso. Em declarações à TSF, refere que a formação não podia ser mais atual. "Isto está pensado há já algum tempo e acontece exatamente no núcleo do furacão"
Um grupo de 18 padres de todo o país vai integrar o primeiro curso de proteção civil para a população ministrado pela Escola Nacional de Bombeiros, que começa esta segunda-feira, a que se seguirão iniciativas dirigidas a outros grupos.
O cardeal Américo Aguiar, capelão dos bombeiros portugueses, é um dos formandos do curso, com a duração de 16 horas, que decorre esta segunda-feira e terça-feira, nas instalações da ENB, em Sintra.
Ouvido pela TSF, prestes a começar as aulas, Américo Aguiar sublinha que a formação não podia ser mais atual: "São aquelas coincidências que Deus providencia, porque isto está pensado há já algum tempo e acontece exatamente no núcleo do furacão, se assim podemos dizer. O objetivo principal é cidadãos resilientes. (...) É muito importante que os cidadãos tenham curiosidade e a possibilidade de se aproximar destas ofertas de formação, porque, a qualquer momento, na nossa casa, na nossa família, na nossa instituição, podemos ser chamados a socorrer alguém e é sempre bom que, no meio daquelas pessoas, haja alguém que tenha mínimos de conhecimentos para poder proceder de imediato."
Os alunos vão aprender a responder a incêndios, tempestades e cheias. Américo Aguiar já teve alguma formação nesta área e recorda o que aprendeu com a experiência na Jornada Mundial da Juventude.
"Participei numa ação da Cruz Vermelha Portuguesa que tinha a ver com as práticas de emergência, quando alguém está desmaiado e nós temos de fazer reanimação. E há um síndrome de qualquer pessoa que é ter medo de fazer porque pode partir as costelas, porque pode fazer pior à pessoa. E eu aprendi nessa formação que pior do que magoar a pessoa é não fazer nada porque ela vai morrer. Ora, há coisas que só na prática destes procedimentos é que aprendemos a eficácia dos mesmos e perdemos este medo de agir antes que cheguem as autoridades respetivas", conta.
"Os padres são a palavra nas comunidades, transmitem as boas práticas. Terá muito maior efeito, nesta fase, do que chamar presidentes de junta, que também hão de vir. Neste momento, estamos a plantar a árvore pela raiz", disse à agência Lusa o presidente da Escola Nacional de Bombeiros (ENB), Lídio Lopes, ao justificar a escolha do grupo para a primeira ação de formação, denominada "Cidadão Resiliente".
O programa é para continuar, abrangendo autarcas e outros profissionais, que receberão uma formação geral para incêndios e outros riscos, como tempestades e inundações, decorrentes de cheias, como as que se verificam atualmente.
"Já foram feitas outras formações, mas a escola está a afinar melhor a componente de consciencialização e formação do cidadão", referiu Lídio Lopes, lembrando que a ENB já ministrava formação a empresas, entre outras, através das quais chegava aos trabalhadores.
Agora, serão constituídas turmas com 12 alunos, com foco nos meios de primeira intervenção para incêndios, como a utilização de um extintor, práticas de suporte básico de vida, noções de primeiros socorros e também de proteção civil para riscos naturais: o que fazer, durante e depois. "E também de risco misto, como a combinação de vento e de chuva", acrescentou.
"O objetivo é que o cidadão saia desta formação na condição de cidadão resiliente", sublinhou o presidente da ENB.
As ordens dos engenheiros, dos advogados, ministérios, a Associação Nacional de Municípios Portugueses, professores, carpinteiros, pedreiros e outros profissionais, serão igualmente desafiados a participar nos cursos seguintes.
Haverá uma formação geral e uma hora terá uma componente específica relacionada com a profissão dos formandos, indicou Lídio Lopes.
A formação vai decorrer na ENB, mas está prevista a descentralização pelas autarquias que manifestem interesse em aderir.
"É um contributo da escola para uma cultura de segurança e para a construção de um cidadão resiliente, que pode muito melhor agir", referiu o responsável pela ENB.
Em 16 de abril será lançada uma formação online para a população em geral sobre a criação de um kit de emergência e de um plano familiar de emergência, seguindo-se outra, no mesmo formato, a 30 de abril, com recomendações sobre a forma de agir quando se registam incêndios rurais.
Está igualmente na forja uma formação para jornalistas.
