"Nestes 15 dias, não apareceu vivalma." Após tempestades devastadoras, população de Leiria procura ajuda em centro de apoio

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
Além dos voluntários, a Câmara Municipal, o Exército, a Proteção Civil e outras instituições arregaçam as mangas para ajudar a população
No centro de apoio à população, em Leiria, fazem-se filas à porta. As famílias vão ali buscar alimentos, comida para os animais, roupas e materiais para refazer as casas que ficaram destruídas na sequência das tempestades que passaram por Portugal continental. Além dos voluntários, a Câmara Municipal, o Exército, a Proteção Civil e tantas outras instituições arregaçam as mangas e distribuem garrafas de água a quem está na fila, que já vai longa.
Isabel vem acompanhada pela neta. "Venho buscar alguma coisa. Já me deram um balde e uma esfregona, eu tenho-me servido tanto da esfregona e do balde, que foi bom terem-me dado um balde e uma esfregona. E deram-me um toldo", conta Isabel aos microfones da TSF.
Com a tempestade, a sua casa, situada na zona rural da Barosa, ficou parcialmente sem telhas.
"Na minha casa caíram três chaminés e, conforme partiu, ficou metade da chaminé em cima do telhado e partiu umas telhas também. E chove lá também", diz. Apesar dos 76 anos, Isabel sobe ao telhado, mesmo sabendo que corre riscos. Garante que ainda não teve ajuda.
"Nestes 15 dias, que já faz agora esta terça-feira, não apareceu vivalma. Não tivemos água, nem luz, nem nada. Não apareceu ninguém da Proteção Civil, nem de lado nenhum, para nos perguntar se a gente tinha sede e se precisávamos de uma garrafa de água. É que tivemos sem água e sem luz até ontem. Ontem a luz veio, eram 20h00. Andámos a beber água da chuva. Fartam-se de barafustar na televisão que ajudam, mas não vem ninguém", lamenta.
Neste centro, em Leiria, Isabel vai ter a ajuda que necessita.
Uma população inteira vive um momento único que quer esquecer rapidamente. Para esta noite, em Leiria, está marcada uma vigília junto à fonte luminosa em solidariedade com os milhares de pessoas que ainda não têm eletricidade.