Os portugueses dizem que o país está pior do que em 2011, e não acreditam que a austeridade vá abrandar com a saída da troika. Estas são as principais conclusões de um estudo da Eurosondagem para o ISCTE.
A dois meses do fim do programa de assistência, e na semana em que o ISCTE organiza a terceira edição do Fórum das Políticas Públicas, uma sondagem revela a avaliação dos portugueses à execução do programa de ajustamento, e ao impacto da austeridade nas suas vidas, e revela ainda qual a expectativa em relação ao chamado período pós-troika.
O discurso de que tudo pode mudar a partir de 17 de maio, aparentemente, não cola. Apenas 6,5% dos inquiridos acredita que a austeridade vai diminuir com a saída da troika. Para a esmagadora maioria, os sacrifícios, das duas uma, ou vão continuar (41% das respostas), ou vão mesmo aumentar (42%).
Na resposta direta à questão que marcou o último congresso do PSD, se o país está melhor ou pior do que em 2011, 68% afirma que Portugal piorou nos últimos três anos, e apenas 20% acha que o país está melhor. Transpondo a mesma questão para a vida de cada um, a avaliação é ainda mais negativa. 77% dos entrevistados diz que a vida deles e da família está pior, e apenas 12% assume que vive melhor agora do que antes do resgate.
Outra nota negativa vai para a execução do programa de ajustamento. 70% dos inquiridos avaliam de forma negativa, ou muito negativa, a execução do programa. Um processo com apenas 22% de notas positivas.
Quanto à paternidade das medidas aplicadas pelo Governo nos últimos três anos, a maioria dos inquiridos (54%) afirma que as medidas foram impostas pela troika, enquanto 36% diz que a austeridade foi iniciativa do governo.
Quanto à questão que tem dominado a agenda política nos últimos tempos, sobre se Portugal deve optar por um programa cautelar ou uma saída à irlandesa, 49% defende o conforto de um programa cautelar, enquanto 33% prefere uma saída sem qualquer ajuda. Curiosamente, e apesar de todo o debate público, esta é a questão em que mais inquiridos, 19%, dizem não saber a resposta ou recusam mesmo responder.
Ficha técnica
Estudo de Opinião efetuado pela Eurosondagem S.A. para o Expresso, SIC e ISCTE, de 6 a 12 de Março de 2014.
Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados.
O Universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa.
A amostra foi estratificada por Região (Norte - 20,4%; A.M. do Porto - 14,7%; Centro - 29,1%; A.M. de Lisboa - 26,1%; Sul - 9,7%), num total de 1.021 entrevistas validadas.
Foram efetuadas 1.233 tentativas de entrevistas e, destas, 212 (17,2%) não aceitaram colaborar Estudo de Opinião. Foram validadas 1.021 entrevistas
A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma aleatória resultou, em termos de sexo, (Feminino - 51,8%; Masculino - 48,2%) e, no que concerne à faixa etária, (dos 18 aos 30 anos - 17,6%; dos 31 aos 59 - 50,9%; com 60 anos ou mais - 31,5%).
O erro máximo da Amostra é de 3,07%, para um grau de probabilidade de 95,0%.
Um exemplar deste Estudo de Opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.