Temporal obriga a intervenção "urgente" no Passeio Marítimo de Algés. Autarquia acusa Estado de estar "longe" da realidade

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A Câmara de Oeiras vai investir cerca de 2,4 milhões de euros no Passeio Marítimo de Algés para estabilizar a linha ferroviária e alargar o terrapleno, devido a estragos provocados pelo temporal
A circulação ferroviária na estação de Algés está condicionada a um dos carris no sentido Oeiras-Lisboa, na sequência do temporal das últimas semanas. As obras para repor a estabilidade no Passeio Marítimo de Algés arrancam esta quarta-feira, num investimento na ordem dos 2,4 milhões de euros.
"Com as chuvas e o mar das últimas semanas, a linha estava a ser comida por baixo e estava a colocar em risco a circulação dos comboios. Por isso, o comboio só está a passar na linha do lado esquerdo", explicou o vice-presidente da Câmara de Oeiras, Francisco Rocha Gonçalves, em declarações à TSF.
"A primeira intervenção demora dois meses. É uma obra de cerca de 400 mil euros que se tornou premente em função da evolução atmosférica", acrescentou.
Francisco Rocha Gonçalves disse ainda que está prevista uma segunda obra, relativa ao "alargamento do terrapleno", para evitar que, no futuro, a situação se repita e volte a colocar em causa a linha do caminho de ferro. Esta segunda intervenção mais estruturada está avaliada em dois milhões de euros.
Para já, a Câmara de Oeiras assume a obra, numa zona que está sob alçada da Administração do Porto de Lisboa. Ainda assim, "o Estado está distante" e "insensível", acusou o autarca, referindo que a autarquia alerta há vários anos para o risco naquela zona de Algés.
"Nada aconteceu durante anos. É sempre um município que avisa para estas questões. É sempre um município que pressiona e é sempre um município que normalmente vai batendo contra a parede até que a situação se torne emergente. Esta intervenção agora tornou-se urgente porque não foi feita a intervenção que devia ter sido realizada há muito, de alargamento do terrapleno, para defender a estabilidade da via férrea e do próprio terrapleno", concluiu.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.
*Com Maria Ramos Santos