Zero lamenta que Governo não tenha considerado proposta de tratamento mecânico e biológico dos resíduos urbanos

TSF (arquivo)
"Já há unidades em Portugal que conseguem desviar 70% dos resíduos que nós não separamos nas nossas casas", explica Rui Berkemeier à TSF
A associação Zero lamenta que o plano de atividades para 2026 apresentado pela ministra do Ambiente não tenha considerado
a proposta feita há mais de um ano que passa pelo tratamento mecânico e biológico dos resíduos urbanos.
"Principalmente nas soluções de tratamento dos resíduos a montante do aterro, através do tratamento mecânico e biológico. Portanto, é possível hoje, já há unidades em Portugal que conseguem desviar 70% dos resíduos que nós não separamos nas nossas casas e, portanto, é um complemento muito importante para reduzir a colocação em aterro. Essa é a solução que nós defendemos. Apresentamo-la há um ano à ministra do Ambiente, já reunimos com o secretário de Estado do Ambiente, com os dois, que entretanto estiveram em funções, e ainda não tivemos uma resposta objetiva a esta questão", explica Rui Berkemeier, que desenvolve o seu trabalho na Zero na área dos resíduos, à TSF.
O ambientalista recomenda aos responsáveis do Governo uma visita a sistemas que já funcionam a nivel nacional.
"Basta fazer investimento nestas unidades ou recuperar algumas que já existem no país. Nós temos muitas unidades dessas, mas que não têm o equipamento todo, estão um bocado coxas, digamos assim, e o problema estava resolvido de raiz em termos do problema dos aterros. Infelizmente, o que se está a fazer é um bocado empurrar com a barriga para a frente. Aumenta-se os aterros um bocadinho para ter mais três ou quatro anos e provavelmente quem vem a seguir que feche a porta ou resolva o problema. Portanto, é só ir ver o que é que já existe em Portugal, não é preciso fazer grandes estudos, e adaptar isso para o resto do país", considera.
Rui Berkemeier denuncia que estão a ser feitos aumentos da capacidade de aterros com residuos não tratados, o que contraria as leis nacionais e internacionais.
"Temos estado a verificar um pouco por todo o país, são ou novas células de aterro, como por exemplo no Algarve, ou aumento da capacidade das células de aterro que existem, sem se fazer o devido tratamento dos resíduos antes de colocar em aterro. Porque o que diz a legislação portuguesa e europeia é que é proibido colocar resíduos orgânicos em aterro sem estarem devidamente tratados e, infelizmente, a esmagadora maioria dos aterros portugueses não têm esse tratamento prévio. É isso que Portugal tem de fazer e rapidamente o problema estaria resolvido."