Crise dos combustíveis no Reino Unido acelerada pelo Brexit mas "irá acontecer em Portugal também"

A ANTRAM acredita que esta crise de combustíveis no Reino Unido não afetará os motoristas portugueses, que se abastecem antes de entrar no território. No entanto, a falta de mão-de-obra, causada pelas especificidades da profissão, levará a que nos próximos anos também o resto da Europa se confronte com este problema.

Pedro Polónio, presidente da ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), acredita que, para já, os motoristas portugueses não devem ser diretamente afetados pela crise de combustíveis no Reino Unido, porque o abastecimento é feito antes de entrar no território britânico e os camiões têm uma grande autonomia.

No entanto, o que se passa em Inglaterra é um alerta para uma situação que vai repetir-se, noutros países europeus, nos próximos anos, garante o representante da associação que representa os motoristas de veículos pesados. "Não tenho grandes dúvidas de que aquilo que está a acontecer neste momento em Inglaterra foi acelerado pelo processo do Brexit, que, de facto, levou a que haja menos frota europeia a fazer transportes internos dentro de Inglaterra", analisa, em declarações à TSF.

Este é, contudo, um problema que já existia e que se deverá agravar na Europa e nos Estados Unidos nos próximos anos, revela Pedro Polónio. "A manterem-se as coisas assim e a continuarmos a não ter a atenção política que este assunto merece, acredito que aquilo que hoje está a acontecer em Inglaterra, daqui a muito poucos anos, irá acontecer também na Europa, e, daqui a menos anos ainda, nos Estados Unidos. Em Portugal, também."

O presidente da ANTRAM esclarece que "há muitas profissões em que há falta de mão-de-obra, e, no caso concreto dos motoristas de viaturas pesadas, é um exemplo muito real do envelhecimento da população ativa e da falta de retenção e de captação de novos talentos".

A formação dos motoristas de mercadorias é longa e não tem merecido a devida atenção por parte da classe política, na perspetiva do representante da associação. "Formar qualquer motorista demora muito tempo", nota, lembrando que, entre as formações iniciais, de 140 horas, a obtenção de cartas, que são de dupla categoria - C e C+E -, tem de haver investimentos "muito elevados, na casa dos dois a três mil euros", mas também tem de ser despendido tempo considerável. "Não é possível fazer estas duplas formações em menos de três, quatro meses", assinala Pedro Polónio, que vê nestes entraves "barreiras muito fortes" à entrada de novas pessoas no setor, um assunto para o qual quer captar a atenção política.

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