Marcelo recebe bancos para os quais o país "contribuiu". Quanto? 25 mil milhões

Sistema financeiro já recebeu ajudas do Estado de quase 25 mil milhões de euros desde 2007. Nalguns casos, os cofres públicos perderam milhões; noutros, ficaram a ganhar: receberam com juros.

Com a economia congelada por causa da pandemia, o Presidente da República vai reunir com os presidentes dos principais bancos. Objetivo: sensibilizá-los para a distribuição ágil das linhas de crédito de 3 mil milhões de euros com garantia do Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que o sistema financeiro deve "retribuir aos portugueses" os apoios que teve. Mas que apoios foram esses? E de quanto?

As resposta rápidas são: foram de vários tipos, entre recapitalizações da Caixa e empréstimos no tempo da troika. E valeram, desde 2007, quase 25 mil milhões de euros.

Dados do Banco de Portugal mostram que entre 2007 e 2018, os bancos foram ajudados em 23,8 mil milhões de euros. Mas a este valor, entretanto desatualizado, há que somar 1.15 mil milhões emprestados em 2019 pelo Estado ao Fundo de Resolução (FR) que os injetou no Novo Banco, elevando o total para 24,95 mil milhões de euros. Já neste ano, o Novo Banco pediu mais 1.037 milhões, que, se forem transferidos dos cofres públicos para o FR, elevarão o total para 25,97 mil milhões.

No relatório sobre as instituições de crédito que recorreram a fundos públicos, o supervisor identifica "as instituições de crédito que tenham sido objeto ou resultado de medida de resolução, de nacionalização, de liquidação, ou de operação de apoio à sua capitalização, com recurso a fundos públicos disponibilizados pelo Estado, ou pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento ou garantia prestados pelo Estado".

No total, essas instituições (Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI, BES, Novo Banco, Banif, BPP e BPN) receberam 23,8 mil milhões de ajudas públicas entre 2007 e 2018. Este valor não contabiliza, no entanto, as ajudas devolvidas. São os casos, por exemplo, do BCP e do BPI. Em 2012 o Millennium recebeu uma ajuda de 3 mil milhões de euros em títulos de capital contingente que devolveu integralmente, com juros de mil milhões de euros; o mesmo aconteceu no caso do BPI, mas num montante de 1.500 milhões, com o estado a ganhar 100 milhões.

A CGD foi o banco que mais ajudas recebeu neste período: foram 6.250 milhões de euros. (A Caixa entrega dividendos ao Estado). O BPN custou 5 mil milhões. O BES/Novo Banco foi alvo de empréstimos no total de 4.330 milhões. O Banif recebeu 3,355 milhões.

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