"Menos responsabilidades" dos empregadores fazem aumentar precariedade dos jovens

Em declarações à TSF, Paulo Marques recordou que o aumento dos contratos precários entre os mais novos "foi muito rápido durante os anos da crise e, desde então ela tem-se mantido bastante alta".

Não param de aumentar os contratos precários entre os mais novos em Portugal, garante um dos coordenadores do observatório para o emprego jovem, do ISCTE, Paulo Marques, falando de uma tendência que se estende "ao longo das últimas décadas".

O coordenador recordou à TSF que, em 1995, a percentagem de jovens com contrato precário rondava os 26%. "Globalmente, esse aumento foi muito rápido durante os anos da crise e, desde então ela tem-se mantido bastante alta".

As razões, segundo Paulo Marques, explicam-se, por exemplo, pela maior "regulação relativamente aos contratos permanentes e, havendo empresas que querem ter uma rotação grande nas suas empresas", utilizam "outras formas de contratação como uma forma de terem menos responsabilidades sobre os seus trabalhadores", explica.

"Se nós tivermos empregadores que são mais incentivados e, de certa forma, também lhes pode ser exigido, do ponto de vista de legislação laboral, que para a utilização deste tipo de contratos tenham que investir mais em formação de contexto de trabalho", explica o coordenador, "é também uma componente importante numa estratégia de promoção do emprego estável".

Na opinião de Paulo Marques, "um empregador que investe nos seus trabalhadores" é "mais interessado em retê-los a longo prazo", mas essa componente "tem estado muito ausente do debate".

Por outro lado, "se os setores que crescem no emprego e na nossa economia são setores que vivem da sazonalidade e de uma grande rotação dos seus trabalhadores, também é difícil promover uma proporção do emprego deste género", conclui.

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