Portugal vai entrar nos carris: vai ter um Plano Ferroviário Nacional

Começa esta segunda-feira o trabalho, que vai demorar um ano, de construção do Plano Ferroviário Nacional, revela à TSF o ministro Pedro Nuno Santos.

Portugal nunca teve um Plano Ferroviário Nacional (PFN) e nesta segunda-feira é dado o "pontapé de saída para um debate nacional que queremos muito participado", adianta à TSF o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

O Plano está aberto a contributos, "desde o poder local aos operadores e aos utilizadores". "Com bases nesses contributos, vamos fazer uma proposta e depois iniciamos uma nova fase, que tem como objetivo discutir essa proposta. Este processo terminará no Parlamento, para que o Plano Ferroviário Nacional passe a ser Lei à mesma imagem daquilo que acontece com o Plano Rodoviário Nacional".

De acordo com Pedro Nuno Santos, "temos este processo pensado para durar um ano, se conseguirmos antecipá-lo melhor".

"Não queremos um Plano Ferroviário Nacional feito à pressa e feito apenas pelo Governo, isso exige tempo", justifica o ministro.

O PFN vai incluir o objetivo de ligação ferroviária a todas as capitais de distrito (Bragança, Vila Real e Viseu não têm comboio), bem como a ligação dos terminais de mercadorias aos portos e terminais logísticos; nos transporte de passageiros, a premissa é aumentar a densidade da rede e, ao mesmo tempo, conseguir encurtar os tempos de viagem entre os diversos destinos, defende Pedro Nuno Santos.

Para o governante, "se nós queremos ser um país do século XXI, temos que ter uma rede ferroviária do século XXI" - depois de terem fechado, em 35 anos de integração europeia, cerca de 1000 quilómetros de rede ferroviária.

Assim, o PFN vai "estruturar a rede ferroviária que queremos, o material circulante que vamos precisar para que, cada vez que há um novo ciclo de financiamento, num novo quadro comunitário, nós não estejamos a adivinhar para onde é que deve ser o investimento ferroviário mas já saibamos qual é a rede que queremos ter e quais são as prioridades".

Será um Plano para vários anos com uma visão de longo prazo, porque "não há capacidade financeira para concretizar toda a rede ferroviária que nós desejamos no momento zero; mas nós temos que saber hoje qual a rede ferroviária que queremos ter no futuro para, à medida que tivermos capacidade financeira, o podermos ir concretizando".

Para já, o financiamento que existe é no quadro financeiro plurianual 2021-2027, que enquadra alguns projetos, como é o caso da "modernização da linha de Cascais, a quadruplicação da linha de Sintra, entre o Areeiro e a Gare do Oriente, a primeira fase da nova ligação entre Lisboa e o Porto e Porto - Vigo, a eletrificação do resto da rede que ainda falta eletrificar", sublinha Pedro Nuno Santos.

Estes projetos, considerados urgentes, "vão estar no Plano Ferroviário Nacional e vão ter financiamento garantido no quadro financeiro plurianual", sendo que a modernização da linha de Cascais vai ter um investimento de 70 milhões de euros, a quadruplicação da linha de Sintra tem orçamentado um custo de 110 milhões de euros até 2026, a nova ligação rápida Lisboa - Porto vai custar 4500 milhões de euros e a eletrificação de toda a rede até 2025 representa um investimento de 1000 milhões de euros.

O ministro das Infraestruturas não gostava que o debate à volta do PFN fosse dominado pela questão do comboio de alta velocidade porque, de acordo com o próprio, "precisamos é de uma rede ferroviária que chegue a todo o país, que sirva a coesão territorial", argumenta.

"O que nos interessa é sabermos que rede é que nós queremos. Nós queremos que o comboio chegue a Vila Real, nós queremos que o comboio possa ser usado para explorar a linha do Douro de uma ponta à outra, nós queremos chegar a Espanha por Vigo, queremos chegar a Espanha por Salamanca, nós queremos fazer uma viagem entre Lisboa e Porto em 1 hora e 15 minutos, nós queremos que a linha de Sintra (a linha que hoje tem capacidade para seis comboios por hora) possa ter capacidade para 12 comboios por hora", conclui.

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