Algarve com mais turistas britânicos, mas ainda aumento acentuado do desemprego

A época do golfe que está a começar e os eventos desportivos nos próximos meses podem ajudar a recuperar reservas perdidas com a pandemia.

O número de reservas de turistas britânicos já sofreu um aumento "importante, até significativo", de acordo com o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, mas a dimensão da subida ainda não é conhecida e requer uma análise.

Elidérico Viegas sublinha, em declarações à TSF, que os próximos meses serão importantes, mas não o suficiente para esbater todos os prejuízos da pandemia. "Sendo importante para esbater os enormes prejuízos que tivemos ao longo do ano, não será naturalmente suficiente para compensar as quebras até agosto", salienta o responsável associativo. Em junho as reservas aumentaram em 10%, em julho, o aumento foi de 32%, e espera-se que agosto termine com uma taxa de ocupação na ordem dos 60%.

"É preciso termos consciência de que o mês de setembro e o mês de outubro são de época turística, mas já são meses menos fortes. Os meses do turismo do Algarve são, por excelência, julho e agosto, e, nos meses de abril, maio e junho, praticamente não tivemos turistas. As ocupações reduziram-se a zero."

Já o presidente da Região de Turismo do Algarve acredita que vai ser possível, no último trimestre, recuperar "um bocadinho" a procura que é habitual nessa altura do ano. João Fernandes lembra que a região tem uma oferta muito diversificada, e a época de golfe está a começar. Noutros anos o turismo náutico tem tido uma grande procura, e, além disso, realça o presidente da Região de Turismo do Algarve, há um "grande calendário de eventos" para os próximos meses, entre os quais enumera "Portugal Masters de golfe, em setembro, em outubro, a Fórmula 1 e a Taça das Nações em Hipismo e a prova de Moto GP, em novembro. Um calendário que leva João Fernandes a sublinhar que, se se mantiverem as atuais condições epidemiológicas e se houver cada vez menos países a imporem restrições a viagens para Portugal, o Algarve pode tentar recuperar a procura que costuma ter no último quadrimestre.

Quanto ao aumento de reservas turísticas por parte dos cidadãos britânicos , o presidente da Região de Turismo do Algarve diz que para já "há uma noção empírica" de que houve um pico de reservas para o final de agosto e setembro. Trata-se de reservas que tinham sido canceladas e adiadas, mas "há também um fenómeno de novas reservas de pessoas que estavam à espera destas notícias para puderem viajar. João Fernandes afirma que em poucos dias houve um "efeito interessante no mercado britânico que agora é preciso acompanhar para perceber vai perdurar".

Em agosto a taxa de ocupação nos empreendimentos turísticos do Algarve é de 60%, um valor que está ainda longe de taxas de quase 100% de há uma ano. O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve acredita, no entanto, que os próximos meses não serão tão negativos quanto os anteriores. Tais perspetivas não afastam a previsão de que o desemprego na região venha ainda a aumentar e de forma acentuada, considera Elidérico Viegas.

"Outubro pode trazer ainda mais desemprego para a região do Algarve"

É essa a expectativa do presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve que afirma que, nesta altura, a situação é " muito, muito complicada". O desemprego "está a crescer de uma forma exponencial, na ordem dos 232%" e a partir de outubro "vai aumentar de uma forma acentuada" já que, diz Elidérico Viegas, as medidas adotadas pelo Governo para substituir o lay-off simplificado não se ajustam às necessidades das empresas do setor.

E "a zona de maior oferta, Albufeira, é também a que concentra maior aumento de desempregados".

O mecanismo da retoma progressiva à atividade, plano do Executivo, que agora substitui o lay-off simplificado extinto em agosto, vai contribuir para esta tendência de subida do desemprego, acrescenta o representante do setor turístico do Algarve. "A primeira versão estava de acordo com as necessidades empresariais, e por isso teve a adesão enorme que teve, mas as alterações introduzidas depois, que entraram em vigor em agosto, já não se adaptam às empresas."

O "desajuste" vai refletir-se "no número de empresas que vão encerrar e no aumento do desemprego", a constatar-se já a partir de outubro, de acordo com Elidérico Viegas.

* e Catarina Maldonado Vasconcelos

* Atualizada às 15h35

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