CDS dividido em três arrisca perder poder em Ponte de Lima

Centristas arriscam perder eterno bastião do partido sem apoio do PSD. Vasco Ferraz, candidato do CDS à Câmara do Município, tem como principais opositores dois antigos vice-presidentes da autarquia que lideram movimentos independentes. PSD já tem candidato próprio.

Será um desafio autárquico que pode marcar o percurso do CDS-PP na Câmara de Ponte de Lima. O município alto-minhoto é um dos seis liderados atualmente pelos centristas e o único cujo presidente não se pode recandidatar por ter atingido limite de mandatos. Mesmo assim, e com o eleitorado da mesma área política dividido em três, abdica de um acordo pré-eleitoral com os sociais-democratas.

É uma jogada arriscada para o CDS, que pode perder o poder na autarquia mais emblemática para os centristas nas últimas décadas. Considerado bastião centrista desde o 25 de Abril, o CDS abriu mão de um eventual acordo com o PSD, numa altura em que Vasco Ferraz, o candidato do partido e atual vereador, tem como principais opositores dois independentes que já foram vice presidentes do município: Abel Baptista, antigo deputado e antigo vice presidente de Daniel Campelo, e Gaspar Martins, que foi vereador de Campelo e número dois do até agora presidente, Victor Mendes.

Com os militantes da mesma área política divididos como não há memória no concelho, a TSF sabe que a concelhia do CDS, liderada pelo candidato escolhido, propôs ao PSD o quinto lugar da lista, em caso de eventual entendimento. Ora, atualmente com cinco dos sete vereadores do executivo autárquico, há quem não acredite que o CDS mantenha o mesmo poder o que na prática inviabilizaria a eleição dos sociais-democratas.

Várias fontes partidárias locais, ouvidas pela TSF, estimam que, ainda que ganhe, Vasco Ferraz não ultrapasse os três eleitos tendo em conta a força eleitoral que os independentes ainda possam capitalizar sobretudo nas bases do partido e entre dezenas de presidentes de junta. Um deles, Abel Baptista, conquistou dois lugares na vereação nas últimas autárquicas.

Fontes do PSD limiano asseguram que a oferta do quinto lugar na lista dos centristas significaria "nada". E, "nada por nada", dizem, "preferem ir sozinhos às urnas".

O candidato do PSD é José Nuno Vieira de Araújo, antigo deputado da Assembleia Municipal da vila alto-minhota, escolha que já mereceu a aprovação dos órgãos concelhio e distrital e que deverá ser anunciada na próxima semana por Rui Rio.

A liderança da Câmara de Ponte de Lima esteve sempre nas mãos do CDS, que se candidatou apenas duas vezes em coligação com o PSD no fim dos anos 70 e início da década de 80. O poder centrista na autarquia só foi interrompido no mandato independente de Daniel Campelo, depois do polémico apoio ao PS na aprovação de um orçamento do Estado, que ficou conhecido como "orçamento do queijo limiano", e na altura provocou o afastamento do então deputado do CDS, então liderado por Paulo Portas.

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