"É prematuro avaliar as medidas de Viktor Orban na Hungria"

Francisco Rodrigues dos Santos demarca-se da carta enviada por treze líderes a exigir a expulsão do partido de Orban do PPE: "É preciso deixar a poeira assentar para avaliar". O CDS sente-se "confortável" no PPE.

A carta chegou-lhe tarde às mãos, mas mesmo que tivesse sido "em tempo útil", não teria merecido a assinatura do líder do CDS. Francisco Rodrigues dos Santos, entrevistado na TSF, considera "prematuro" exigir a expulsão do Fidesz do Partido Popular Europeu (PPE) como assinaram outros treze líderes (onde também não se inclui Rui Rio).

Em causa está o facto de o primeiro-ministro húngaro ter feito aprovar uma lei que lhe permite governar por decreto, por um período indefinido, apertando a malha contra a Comunicação Social e os eventuais críticos numa atitude considerada "clara violação dos princípios fundamentais da democracia liberal e dos valores europeus". Mas Francisco Rodrigues dos Santos considera que ainda é cedo para avaliar "as medidas musculados que foram adotadas por cada país, no âmbito da União Europeia designadamente por partidos que estão dentro do PPE".

"Não houve a oportunidade para amadurecer, para recolher os dados necessários nomeadamente dentro do PPE, para se fazer uma fiscalização a sério dos poderes que foram acionados por Viktor Orban na Hungria", considera o presidente do CDS para quem "neste corrupio e nesta azáfama, podemos confundir muita coisa".

"Eu preferia deixar assentar a poeira para tomar uma posição mais perentória nesta matéria", responde quando questionado sobre o que está à vista não chega para uma avaliação.

É por isso, que, embora tenha começado por dizer que, apenas mais tarde, tomou conhecimento da carta subscrita por treze partidos que integram o PPE, Francisco Rodrigues dos Santos acaba por admitir que mesmo que tivesse recebido mais cedo não a teria assinado.

"O CDS iria agendar um debate sobre as medidas adotadas na Hungria e com devido amadurecimento e com todos os elementos à disposição e poderia depois assumir uma posição firme de acordo com o apuramento que fizesse", afirma Rodrigues dos Santos.

CDS "confortável" no PPE

Manuel Monteiro pode ter regressado ao CDS mas a antipatia do antigo líder do partido pelo PPE não contagia o atual presidente.

Francisco Rodrigues dos Santos considera que uma "direita moderna" tem espaço no Partido Popular Europeu onde se sente "confortável".

"Eu sei que há muitos partidos dentro do PPE que defendem uma Europa das Nações e não vejo que essa visão seja incompatível com interesses comuns no espaço económico e de uma liberdade de circulações de pessoas, bens e mercadorias", explica o líder do CDS.

Não está por isso em cima da mesa a intenção de abandonar o PPE: "não é sequer uma prioridade abrir essa discussão", garante Francisco Rodrigues dos Santos.

"Estamos confortáveis no PPE e temos partidos homólogos do CDS como o partido Popular Espanhol com quem temos bastante afinidade"

* Entrevista conduzida por Anselmo Crespo

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