Estudantes em zonas de conflito. Portugal desafia comunidade internacional a criar programa de apoio

Ministro dos Negócios Estrangeiros explicou à TSF a proposta do Governo português.

Portugal desafia a comunidade internacional a criar um programa de resposta rápida para jovens estudantes em zonas de conflito. Inspirado pela experiência lançada por Jorge Sampaio, que já apoiou 300 estudantes sírios a completarem o ensino superior em Portugal, o Governo português assinala na segunda-feira a homenagem, na ONU, ao antigo Presidente com esta proposta, já explicada à TSF pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

"A nossa intenção é construir aquilo a que chamamos um mecanismo de resposta rápida a emergências no ensino superior. Por duas razões: a primeira para garantir a esses estudantes, que viram os seus estudos interrompidos por razões de guerra, conflito e perseguição, que conseguem prosseguir e terminar a sua formação superior. A segunda razão é garantir aos países de que são originários estes estudantes que continuem a formar os seus quadros, tendo em vista a reconstrução depois das emergências", revelou Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros está em Nova Iorque onde, na segunda-feira, Jorge Sampaio vai ser homenageado pelo trabalho desenvolvido nesta área.

Jorge Sampaio, que morreu em 10 de setembro, com 81 anos, foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

Após o fim do segundo mandato e ainda em 2006, Jorge Sampaio foi o enviado especial da ONU na Luta contra a Tuberculose e, um ano depois, foi convidado para exercer o cargo de Alto Representante da ONU para o Diálogo das Civilizações, até 2013.

Nesse ano criou a Plataforma Global para Estudantes Sírios. Um dos seus últimos atos públicos foi, em agosto, quando os talibãs regressaram ao poder no Afeganistão, anunciar num artigo publicado no jornal Público, um reforço da plataforma de apoio aos estudantes sírios para dar bolsas de estudo a jovens afegãs.

Nesse artigo, publicado na véspera de ser internado, Sampaio escreveu que "nunca seria demais recordar que a solidariedade não é facultativa, mas um dever que resulta do artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos - 'Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade'".

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