PAN não teve votos na terra dos touros de morte. "Tenho de ir a Barrancos"

Francisco Guerreiro, o eurodeputado que o PAN conseguiu eleger, diz que é inaceitável ainda haver touros de morte em Portugal e promete ir a Barrancos. Quanto a parcerias partidárias, não vira as costas ao PS.

Francisco Guerreiro, do PAN, está já esta semana nas primeiras reuniões em Bruxelas. Mas a Barrancos diz nunca ter ido. "Temos de lá ir, até porque não é aceitável que haja touros de morte em Portugal. Eventualmente lá passarei, com toda a tranquilidade", garante o candidato eleito pelo PAN, no programa "Uma questão de ADN" (ouça esta quinta-feira na TSF) .

O eurodeputado português mais novo (com 34 anos) analisa também que o PAN é "um partido em construção". Talvez por isso Francisco Guerreiro não negue que seja possível obter parcerias com outros partidos políticos. O eurodeputado eleito a 26 de maio revela que é necessário ter uma "posição de negociar com qualquer partido, seja ele de esquerda ou de direita, para ter as melhores condições para o avanço das medidas" que defende.

Nesse sentido, António Costa, que já sinalizou a vontade política de conversar com o PAN, pode ser um aliado, já que o primeiro-ministro "analisa a sociedade de um modo perspicaz e percebe que há uma mudança de consciências". Ainda assim, Francisco Guerreiro assevera que "não há nenhuma proposta formal, nem nada em cima da mesa". "Foi só essa declaração generalista, que eu saiba, não houve telefonema nenhum."

Apesar de o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) ter recebido essa mensagem de reforço positivo, as críticas também não demoraram a surgir. Miguel Sousa Tavares e Daniel Oliveira, dois céticos da missão do PAN, foram também abordados nesta edição do programa da TSF.

Francisco Guerreiro diz mesmo que o partido político que representará na Europa recebeu "votações substanciais no interior do país".

"Até defendemos muitas propostas benéficas ao interior do país, que muitos partidos tradicionais não defendem. Não deixa de ser curioso sermos criticados por partidos que defendem a extensão do olival intensivo e a destruição de muitas destas áreas pela agropecuária intensiva e que não investem no aeroporto de Beja", responde o eurodeputado, que defende que análises políticas se "contrastam com factos".

Sobre a vitória de domingo, Francisco Guerreiro congratula-se e explica por que razão acredita ter sido merecida: "Nós tínhamos 99% de certezas de que iríamos eleger. Isto porque temos feito um trabalho de muita proximidade nos dois últimos meses e meio de campanha, e também, nos últimos anos, com o André Silva no Parlamento e com as nossas representações em assembleias municipais."

"Temos estado muito no terreno, temos contacto com muitas organizações não-governamentais, portanto sabemos do apoio que temos na sociedade civil", remata o deputado do PAN.

Os 5,08% obtidos nas eleições Europeias deveram-se, segundo Francisco Guerreiro, pela inexistência de debates nacionais e de disputas partidárias. "A nossa campanha não é baseada em ataques nem em crispação política. Os políticos deviam debater o que queriam para a Europa, em vez de nacionalizar os debates", explica o eurodeputado. "Não estamos a lutar por carreirismos, nem por postos dentro do partido", diz.

A caminho de Bruxelas, felicita a Europa pelo aumento da família política ecológica (Verdes). "Somos a quarta força política na Europa. Vai ser um trabalho difícil, mas de cooperação", refere ainda.

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