David Justino acusa Marcelo de usar crise da direita como pretexto para se recandidatar

A crise da direita é invocada pelo Presidente da República não por ser uma realidade, considera David Justino, mas por ser "favorável" a uma recandidatura.

O professor Marcelo Rebelo de Sousa quer que o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa se recandidate. A crise da direita é só o pretexto.

É esta a conclusão de David Justino sobre as palavras do chefe de Estado, que na semana passada chamou a atenção para "uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos".

"Se o professor Marcelo Rebelo de Sousa acha que o Presidente da República deve ter um papel mais ativo a reequilibrar um campo que está desequilibrado tem o campo todo para o fazer", disse o vice-presidente do PSD esta quarta-feira no programa da TSF Almoços Grátis.

Ou seja, nota, face "a uma antevista crise da direita, é fundamental que ele se possa recandidatar para restabelecer o equilíbrio", já que é "a única pessoa que está em condições" de o fazer.

A crise da direita surge no discurso do Presidente "não por ser uma realidade, mas por ser um contexto favorável à candidatura", reforça David Justino.

Além disso, diz o social-democrata, "o professor Marcelo está claramente a fazer comentário político, a fazer um exercício de prognóstico", adotando uma "posição de oráculo sobre o que vai acontecer".

O resultado de toda esta polémica, que já motivou comentário de vários políticos quer à esquerda quer à direita, acaba por ser um "desfocar daquilo que são problemas reais dos portugueses para artefactos e artifícios políticos", lamenta.

Carlos César concorda com a análise do adversário político. "Estamos em presença de mais uma declaração do Presidente da República no sentido da sua próxima candidatura presidencial".

Marcelo Rebelo de Sousa diz, ressalva o socialista, que se perfila a necessidade de ele próprio se recandidatar para preencher um espaço que está fragilizado pelas incapacidades do CDS e do PSD".

"É mais notória uma crise dos partidos da direita do que dos partidos do regime", defende, em especial depois do "pior resultado de sempre" em eleições.

"Creio que não existe uma crise de regime em Portugal", defendeu, ao contrário do que argumenta Rui Rio.

E face à abstenção - massiva destas eleições Europeias - o que mudar para captar o interesse dos eleitores?

Deve haver uma redução de deputados através da representação dos votos brancos e nulos na Assembleia da República, como defende Rui Rio?

Nem pensar, defende Carlos César. "Os problemas de confiança e de representatividade devem ser resolvidos com o aumento da oferta publica e não o aumento do vazio político."

"Tornar o Parlamento num clube restrito apenas para dois ou três partidos tradicionais e não ampliar a possibilidade de haver uma oferta diversificada não é fortalecer a democracia", defende.

Com Anselmo Crespo e Nuno Domingues

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