"Livre regressa ao Parlamento para ficar pelo futuro da esquerda verde europeia." Rui Tavares eleito

O fundador do Livre acredita que o diálogo à esquerda é o grande desafio da próxima legislatura.

O fundador do Livre Rui Tavares apontou como grande desafio o diálogo à esquerda no parlamento face a uma maioria absoluta do PS, e admitiu que a sua eleição foi uma "segunda oportunidade".

"Temo que uma maioria absoluta se possa fechar em si mesma e esse é um dos grandes desafios da Assembleia da República", apontou Rui Tavares, esperando que o PS dialogue nesta legislatura e que haja abertura de todos os partidos à esquerda.

O historiador e fundador do Livre falava na Casa do Alentejo, em Lisboa, minutos depois de saber que foi eleito para o parlamento, numa sala com cerca de uma centena de apoiantes, declarando que "a esquerda verde europeia regressa ao parlamento para ficar".

Admitindo que desejava ter eleito um grupo parlamentar, objetivo do partido nestas eleições, e que havia uma "barreira da descrença" que precisava de ser ultrapassada, Tavares ressalvou que apesar de tudo não foi eleito sozinho porque no Livre "trabalha-se em equipa".

"Sabemos que é em certa medida uma segunda oportunidade que nos é dada, sabemos que não vamos pedir uma terceira, vamos trabalhar com muito afinco (...) E vamos nas próximas eleições recuperar o caminho que nos falta recuperar e que perdemos para representar toda a gente que se revê na esquerda verde europeia em Portugal", afirmou.

O dirigente sublinhou também que "o Livre é um partido à esquerda do PS que cresce nestas eleições".

"Mas o Livre fará mais do que concentrar-se apenas no PS: esse tem sido o grande erro da esquerda e até de uma esquerda que costuma insistir muito em linhas vermelhas e num discurso ate de alguma agressividade intra-esquerda", apontou.

Argumentando que o Livre "não tem esse tipo de discurso", Rui Tavares defendeu que "a estratégia tem que ser diferente".

"E então aquilo que vamos fazer, desde já, é pedir reuniões. Não só pedir uma reunião ao PS no dia 31, pedir ao PCP, ao BE e também ao PAN porque quando estes partidos do progressismo e da ecologia reunirem primeiro e verem primeiro quais são as suas linhas de força em termos de proteção laboral e ambiental, aí vão falar com mais força com o partido que estiver no governo", sustentou.

Nesse momento, continuou, Tavares espera que António Costa seja "fiel à palavra que deu, de que com maioria absoluta não deixaria de negociar", acrescentado que "a bola está desse lado".

"Se há uma maioria absoluta do PS a verdade é que há uma maioria clara à esquerda no parlamento", vincou.

O dirigente reagiu ainda ao resultado do Chega nestas eleições, que se assumiu como terceira força política, considerando que se não tivessem existido estas eleições tal não teria acontecido.

"Precisamente quando a política tradicional, nomeadamente os partidos de esquerda tradicional não conseguem entender-se (...) depois é natural que surjam fenómenos digamos perturbadores da vida normal da democracia", disse.

Tavares criticou também a postura da direita tradicional portuguesa face à extrema-direita, por não ter feito um "cordão sanitário" ao Chega.

O historiador lamentou ainda a perda de "deputados e deputadas de esquerda que muito lutaram" pelas causas do partido quando este não estava representado na Assembleia da República.

"Deputados do PCP e do BE e do PEV que levantaram bem alto as nossas causas, esperamos poder levantar bem alto essas causas também e honrá-las com a nossa ação na Assembleia da República", disse, acrescentando que já deu os parabéns ao secretário-geral do PS, António Costa, pela vitória.

No início do seu discurso, Tavares lembrou que o congresso fundador do partido foi precisamente há oito anos, em 31 de janeiro de 2014, no Porto, cujo lema era "Fazer Pontes".

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