Oficiais das Forças Armadas estranham que nomeação de Gouveia e Melo "seja feita nesta altura"

O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas estranha que a nomeação de Gouveia e Melo na chefia do Estado-Maior da Armada ocorra neste momento, e, apesar de enaltecer algumas qualidades do vice-almirante, também critica a mudança de posição quanto às possíveis pretensões políticas.

O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas estranha o momento escolhido para a mudança na chefia do Estado-Maior da Armada, depois de a TSF ter avançado que o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo vai substituir o atual chefe de Estado da Armada, o almirante Mendes Calado.

Gouveia e Melo deverá ser empossado na quinta-feira, depois de cumpridas todas as formalidades que o processo exige. Ainda esta quarta-feira deverá ser ouvido o chefe de Estado-Maior general das Forças Armadas, e só depois o Governo pedirá a Marcelo Rebelo de Sousa a exoneração do atual chefe de Estado da Armada, bem como a nomeação de Gouveia e Melo.

António Mota, presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, diz ter sido apanhado de surpresa: "Para já, estou a ser perfeitamente surpreendido, não era nada de que estivéssemos à espera, pelo menos nesta altura."

"Não temos rigorosamente nada, naturalmente, contra o vice-almirante Gouveia e Melo, que é um militar prestigiado e que já deu provas, até fora do âmbito militar - como foi a questão da vacinação -, de ser uma pessoa competente. No entanto, estranhamos que a nomeação seja feita nesta altura. Aquilo que seria previsível, depois dos episódios que ocorreram recentemente, seria que essa nomeação pudesse vir a ocorrer mas a meio do ano que vem."

Além disto, "nada a comentar", apenas "uma palavra de louvor para o almirante Calado, que desempenhou as suas funções de forma exemplar e em momentos extremamente complicados", garante António Mota.

Esta mudança no cargo revela, na perspetiva do presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, que a estratégia do Ministério da Defesa acabou por vingar. "Vem confirmar que a estratégia seguida pelo senhor ministro, mesmo à revelia dos militares e do próprio Presidente da República, e, temos de o dizer, certamente aconselhado pelo chefe do Estado-Maior general das Forças Armadas, não vingou naquela altura, veio a vingar num momento, para nós, prematuro relativamente àquilo que esperávamos, mas não temos rigorosamente nada a dizer", assinala António Mota.

O representante da Associação dos Oficiais das Forças Armadas deixa elogios, mas também críticas ao vice-almirante Henrique Gouveia e Melo. "É um militar prestigiado. Teve, devido à pressão, certamente mediática, que o terá levado a pensar e repensar várias vezes algumas opiniões que teve..."

"Não terá sido muito feliz nas declarações que fez, porque, durante vários meses, foi dizendo que não tinha qualquer ambição política, não tinha sequer jeito para isso, que os militares tinham características absolutamente diversas dos políticos, mas depois, no momento certamente de maior pressão e de fraqueza, terá admitido que poderia vir a ser, daqui a uns anos, candidato a Presidente da República."

António Mota nota que estas mais recentes declarações surgem em sentido inverso do que Gouveia e Melo tinha dito em tempos, mas assegura: "Também não é nada que nos surpreenda."

**Notícia atualizada às 12h20 com a correção do nome da Associação dos Oficiais das Forças Armadas

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