Ralhete de Rio causa mal-estar no grupo parlamentar do PSD

Rui Rio saiu do debate quinzenal para "dar exemplo" aos próprios deputados de que não deviam estar tantos no hemiciclo. Mas e-mail do presidente social-democrata ditava que, em algum momento, os deputados teriam de entrar para se registar.

Foi um dos momentos do debate quinzenal, seguramente o mais insólito: o raspanete de Rui Rio aos deputados da própria bancada que deveriam ser apenas 16 no hemiciclo ao mesmo tempo. A questão é que, por ordens da direção, em algum momento aqueles deputados teriam de entrar, sendo que o ralhete em direto para o país não caiu bem na bancada do PSD.

De acordo com o que a TSF apurou, as declarações de Rui Rio estão a causar algum mal-estar entre os deputados que não gostaram de ver o líder a repreendê-los daquela forma a meio de um debate quinzenal.

Mas, afinal, o que diziam as ordens do presidente do PSD e que seguiram por e-mail para toda a bancada? De acordo com o e-mail lido pela TSF, de facto, a ordem é para que o partido mantivesse na sessão plenária o quórum mínimo de 16 deputados. "A todo o momento, apenas um grupo de 16 deputados", lê-se no e-mail e em maiúsculas para que não restassem dúvidas.

O problema vem no parágrafo seguinte: "Aos restantes deputados, que não estejam a faltar, deverão ir ao plenário apenas para registar a presença e, de seguida, sair, de modo a contribuir para que no plenário não estejam presentes mais de 46 deputados, garantindo o necessário espaçamento social". Ou seja, em algum momento do debate, outros deputados do PSD além dos das lista de 16 elaborada pela direção teriam de entrar, sentar-se e registar-se no computador.

No e-mail enviado aos deputados, Rui Rio nota ainda: "Alertamos que qualquer deputado pode, a qualquer momento, ser chamado ao plenário para substituir qualquer um dos 16 colegas que tenha tido necessidade de se ausentar", não tendo ficado definido na mensagem que deputados poderiam ser suplentes.

E no PS?

As imagens não são claras para mostrar quantos deputados estavam na sala no momento inédito protagonizado por Rui Rio, mas de acordo com o que fonte do PS adiantou à TSF, "a direção da bancada do PS sensibilizou os deputados para as indicações da DGS e a necessidade de proteção, decidindo que apenas um quinto do grupo parlamentar estaria no plenário". Ou seja, 22 deputados.

Com base neste critério, ficou decidido que estariam presentes a direção do grupo parlamentar e os coordenadores regionais "para assegurar a representatividade territorial".O distanciamento está também a ser aplicado nas reuniões entre deputados com recurso à videoconferência. "Ainda esta tarde, depois do debate quinzenal, houve reunião do grupo parlamentar do PS com António Costa com vinte deputados no auditório e os restantes por skype", nota fonte socialista à TSF.

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