Rio 1 - Montenegro 0. Proposta para alargar cadernos eleitorais descartada

Quotas marcaram boa parte do Conselho Nacional, mas fica tudo na mesma com proposta da candidatura de Montenegro a cair por terra. No arranque da corrida à liderança que já tem datas fechadas, Rio aponta aos resultados das autárquicas (que não promete vencer).

Houve críticas? Sim. Houve aplausos? Sim. Foi demorado? Também. Mas aqueceu? Nem por isso.

Bragança recebeu os conselheiros nacionais do PSD para uma noite que prometia ficar marcada pela questão do pagamento das quotas dos militantes. Logo à entrada, Pedro Alves, diretor de campanha de Luís Montenegro e presidente da distrital de Viseu, fez saber que havia uma proposta para mudar o regulamento.

No documento que foi apresentado pelo autarca de Viseu, Almeida Henriques, fundamentava-se que todos os militantes deviam poder votar, "independentemente do pagamento de quotas". No entanto, a mesa não aceitou a votação desta proposta justificando que era contra os estatutos.

À saída do Conselho Nacional, o presidente da Câmara de Viseu sublinhou estar de consciência tranquila pelo alerta que deixou aos conselheiros e até citou Winston Churchill. "Churchill já dizia que o facto de muitas vezes as nossas posições serem isoladas não tem mal nenhum. Se defendemos uma convicção, se calhar, daqui a uns tempos, o tempo vai dar-me razão", nota Almeida Henriques para quem as quotas não deviam ser um "fator inibitório".

"Quando os partidos se fecham, a prazo podem morrer", profetiza o autarca defendendo uma abertura do PSD à sociedade para se "construir um projeto alternativo ao que atualmente governa o país".

Já o presidente do PSD (que até é favorável a umas primárias abertas), não tardou na resposta: "Se não leu os estatutos e apresenta uma proposta que vai contra os estatutos, a consciência pode estar tranquila mas a proposta não é funcional e não pode ser admitida pela mesa".

E assim, sem grande surpresa, aconteceu a primeira vitória de Rio neste dia zero da campanha interna, no caso contra Luís Montenegro.

E Miguel Pinto Luz? Não perdeu nem ganhou nada nesta primeira ronda. Fez-se representar neste Conselho Nacional por José Matos Rosa e Telmo Faria que, à entrada, apenas sublinharam que "o PSD precisa de fazer um bom combate, mas precisa de dar ao país a imagem de novos rostos, novas ideias e procurar o seu posicionamento face aos problemas do país". Telmo Faria disse ainda estar à espera de que este Conselho Nacional marcasse o início desse "grande debate com elegância".

Foco nas autárquicas (mesmo que não vença o PS)

Ainda antes da discussão do pagamento das quotas (que ficou arrumado com o sistema a manter-se tal qual como estava), o foco esteve na análise da situação política e que motivou a intervenção de 24 conselheiros.

Pela primeira vez a falar perante o Conselho Nacional depois das eleições de 6 de outubro, Rio repetiu as ideias que tem vindo a defender desde a noite eleitoral. Admitindo a derrota "aritmética" nas urnas para o PS, falou de sondagens, de turbulência interna, da situação económica internacional favorável ao país e seguiu por aí fora, colocando as fichas todas nas autárquicas de 2021.

Não, não é a primeira vez que o faz, mas em Bragança fez questão de sublinhar a queda do PSD desde 2005 no número de câmaras municipais. E foi neste capítulo que ouviu de Pedro Alves, um dos maiores críticos na sala, que para quem está preocupado com as autárquicas, pouco fez durante todo este tempo para aproximar os autarcas.

As críticas não foram exclusivas do líder da distrital de Viseu, também Almeida Henriques, Margarida Balseiro Lopes, Luís Rodrigues ou Bruno Vitorino não se inibiram de criticar o caminho que foi feito.

Já à saída, Rui Rio, interpelado pelos jornalistas, repete o que disse aos conselheiros de que é preciso "inverter a tendência" e ganhar câmaras municipais, mas, sem nunca prometer uma vitória sobre o PS.

"O objetivo é inverter a tendência e começar a subir, se puder ter mais do que o PS tanto melhor, mas para termos caído como caímos demorámos 12 anos, não vou dizer que são precisos outros 12 anos para voltar a subir, mas é difícil fazer tudo isso só em quatro anos", destaca Rio.

Questionado se não é uma assunção de derrota à partida, o presidente do PSD diz que não: "Se eu estou a dizer que temos 90 e tal câmaras e que temos de conquistar muitas mais, não é derrota, é vitória. Agora não me ponha a dizer que temos de passar de 90 para 180 que isso é irreal".

Tiro de partida

Com o fim deste Conselho Nacional está dado o tiro de partida rumo às eleições internas com as datas das diretas e do congresso a serem aprovadas com 58 votos favoráveis, 10 abstenções e 6 votos contra.

A proposta da direção do PSD foi aceite e, por isso, os militantes vão ser chamados às urnas a 11 de janeiro. Se for necessária uma segunda volta, acontece no sábado seguinte - dia 18.

O congresso que vai consagrar o próximo presidente do PSD - Rui Rio, Miguel Pinto Luz ou Luís Montenegro - está agendado para o segundo fim de semana de fevereiro em Viana do Castelo.

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