Rio desafia Ventura a viabilizar Governo do PSD. Chega recusa ser "muleta"

O líder do PSD acusou André Ventura de ser "instável", e recusou uma coligação com o Chega.

Rui Rio desafia Ventura a decidir "entre a esquerda ou a direita", assume que "é impossível haver um acordo de Governo com o Chega", e defende que todos os votos em André Ventura "dificultam a saída de António Costa". No frente a frente entre os dois líderes de direita, Ventura defendeu que Rio estava "habituado a ter muletas como CDS ou a Iniciativa Liberal".

O presidente do PSD foi claro: "Se o Chega tiver uma votação elevada vai impedir o PSD de ser Governo." Rui Rio assumiu mesmo divergências de fundo "que não permitem um entendimento", garantindo que "não quer ir para o poder a qualquer preço, como António Costa fez em 2015".

Rui Rio afirmou ainda que, caso o PSD vença as eleições, o Chega tem de decidir "se quer apoiar um Governo à direita ou abrir a porta a um Governo da esquerda.

"Se o PSD apresentar um programa de Governo na Assembleia da República, aí naturalmente o Dr. André Ventura tem de decidir se quer chumbar o Governo do PSD e abrir portas à esquerda", desafiou.

Puxando pelo programa do Chega, Rio disse que o partido de Ventura se assume "contra o regime", entre outras "divergências graves".

Na resposta, André Ventura acusou o líder social-democrata de "não conseguir explicar o radicalismo do Chega", assumindo que o partido "não é radical".

"Metade da Europa tem prisão perpétua para violadores. Rui Rio, na câmara do Porto insurgiu-se contra a subsidiodependência excessiva. Nos Açores, permitiu um Governo que baixa para metade a subsidiodependência", atirou.

Sobre um acordo para um Governo à direita, André Ventura "não abdica de reformas na Justiça e na Segurança Social" e quer cargos no Executivo, "porque caso contrário estaríamos a ser muleta de um Governo como o CDS ou a Iniciativa Liberal".

André Ventura acrescentou que "a castração química de pedófilos e violadores é fundamental", recusando deixar cair a medida para formar Governo à direita. "Um Governo de direita é para baixar impostos e vá atrás de transformações no regime", atirou.

Acordo nos Açores? Rio lembra instabilidade

O presidente do PSD defendeu que o Chega é um partido instável, o que dificulta acordos de governação: "Ora é a favor do SNS, ora é contra."

"Nos Açores há um acordo, e na primeira oportunidade criou instabilidade", respondeu Rio.

Na mesma moeda, Ventura afirmou que "instabilidade é querer ser alternativa ao PS e vota ao lado dos socialistas", recordando que o PSD teve o mesmo sentido de voto do PS em 60% dos projetos da Assembleia da República.

Rui Rio lembrou, no entanto, que os autarcas do Chega, em poucos meses, "já votaram a favor de Orçamentos do PS". "O que está mal não são os autarcas do Chega que viabilizam os Executivos camarários, é o Dr André Ventura: diz que os expulsa, não tem mão no partido", acusou.

Para o líder do PSD, os militantes laranjas querem "um partido moderado e ao centro", que não faça coligações com forças radicais.

"Sem apoios sociais, 43 por cento da população portuguesa era pobre"

Questionado sobre se estava a piscar o olho ao eleitorado do Chega, quando falou da subsidiodependência no congresso do partido, Rui Rio lembrou que "se não houvesse apoios sociais, 43 por cento da população portuguesa era pobre".

O social-democrata acrescentou que "não quer cortar subsídio nenhum", mas nota que "há pessoas que se acomodam" pelo que é necessária mais fiscalização. Já Ventura insiste que "os subsidiodependentes não podem ter Mercedes à porta".

Sobre a reforma do sistema político, como a redução do número de deputados, Ventura defendeu que "cem deputados chegavam". Rio discordou, mas com cem deputados "muitos achariam um sossego, porque o Dr. André Ventura não seria deputado de certeza absoluta".

"Queremos reduzir no que é razoável para não tirar voz aos grupos parlamentares mais pequenos", defendeu o líder laranja.

André Ventura garantiu que "quer reduzir o número de deputados mesmo que o prejudique", e não pensa em reformas com motivações pessoais.

"O homem à minha frente não quer ser líder da oposição, quer ser vice primeiro-ministro de António Costa. Eu quero ser alternativa ao PS", garante.

No total, são 30 debates televisivos antes das legislativas. Eram para ser 36 debates, mas o PCP recusou debater nos canais por cabo.

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