SNS consegue dar resposta sozinho ao pós-Covid? "Não creio", diz ministra da Saúde

Na segunda entrevista do podcast do PS "Política com Palavra", Marta Temido fala "na enorme dificuldade" das listas de espera, admite recurso aos privados e diz que mudaria comunicação sobre máscaras.

É uma entrevista no ciclo organizado pelo Partido Socialista sob o título "Política com Palavra" que arrancou com António Costa e segue, esta semana, com a ministra da Saúde Marta Temido.

Entrevistada por Filipe Santos Costa, a ministra da Saúde admite que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não terá capacidade para responder sozinho às listas de espera que já existem.

"Já voltaram", reconhece Marta Temido. "Não vamos dizer que não há uma enorme dificuldade."

"Por hipótese, se amanhã tivéssemos zero casos de Covid-19, o Sistema de Saúde, para voltar a funcionar, tem de ter uma série de cautelas", explica a ministra, enumerando, por exemplo, o espaçamento físico e temporal.

Questionada sobre se o SNS será capaz de dar resposta sozinho, Marta Temido é clara: "Não creio." Admite recorrer aos privados: "Daquilo que foram as análises que já fizemos, essa intenção existe, é clara e vamos acioná-la", garante a ministra da Saúde.

Marta Temido não consegue garantir que o SNS esteja preparado para uma eventual segunda vaga, apesar dos esforços que estão a ser desenvolvidos.

"Não consigo dar uma resposta de sim ou não, mas penso que estaremos preparados", afirma a ministra, explicando que, neste caso, "não podemos ter uma estratégia de descanso que poderia depois poupar meios para uma segunda época".

"Os 'jogadores' não vão poder ir descansar. Têm de continuar a treinar e a jogar, e isso deixa todos numa situação de apreensão, naturalmente", ilustra Marta Temido, numa metáfora desportiva. Tudo "depende muito daquilo que seja o ataque de uma eventual nova onda", explica a ministra.

Questionada sobre se mudaria alguma coisa na ação que teve durante esta fase da crise Covid-19, Marta Temido sugere que a comunicação sobre a utilização de máscaras poderia ter tido outra abordagem, embora sublinhe que a diretiva da Direção-Geral de Saúde (DGS) não teve a ver com "falta de material", mas, sim, com o conselho técnico.

"Se eu soubesse que a posição final do Centro Europeu para o Controlo de Doenças era aquela que foi, designadamente, com todas as cautelas que tem em relação a possibilidade de utilização de máscaras comunitárias (que era uma coisa que não existia em termos de nomenclatura), teria antecipado essa solução, mas, infelizmente, este exercício de ver o filme até ao fim, conseguir antecipar o fim e tomar uma conduta compatível com esse fim, é só para os mágicos", responde Marta Temido, pelo meio de risos.

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