"A saúde das nossas abelhas está muito bem"

A Diretora-Geral de Alimentação e Veterinária, Susana Pombo, adianta que nos últimos sete anos, registou-se uma evolução muito positiva. O efetivo de abelhas aumentou e esta atividade económica ganhou mais relevo. Há mais colmeias e os apicultores estão cada vez mais profissionais.

Em Portugal, existem perto de 11 mil e 700 apicultores e mais de 750 mil colónias de abelhas. São números de setembro de 2020, altura do ano em que em Portugal, os apicultores comunicam à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) as colónias de abelhas que detêm. A estas juntam-se. agora, mais 400 colmeias que vão ser distribuídas por apicultores das regiões que foram afetadas pelos grandes incêndios.

Estas colmeias vão servir para fazer o repovoamento de abelhas e vão ser entregues a 61 apicultores. Uma iniciativa que juntou empresas, as associações que representam os apicultores e a DGAV e que serve também para assinalar o Dia Mundial da Abelha, criado pelas Nações Unidas em 2017. Um dia para chamar a atenção para os polinizadores e o papel fundamental que desempenham na conservação da biodiversidade.

Em Portugal, nos últimos sete anos houve uma "evolução muito positiva" diz a diretora-geral de Alimentação e Veterinária. O número de apicultores cresceu 30%, um crescimento que está associado a uma maior profissionalização no setor, adianta Susana Pombo.

A crescente profissionalização dos apicultores, explica a responsável da DGAV, contribui para uma gestão sanitária mais eficaz dos apiários. Em Portugal, "a saúde das nossas abelhas está muito bem" diz Susana Pombo, que explica que há programas para monitorizar e controlar as doenças que afetam as abelhas. Esses programas permitiram que a Comissão Europeia atribuísse o estatuto de indemnidade à Vorroa, a seis ilhas açorianas.

A Varroa ou Varroose é uma doença provocada por um ácaro que se instala nas colmeias ,acabando por dizimá-las. Endémica a nível europeu, mas indemne nas ilhas de São Jorge, Corvo, Santa Maria, São Miguel, Terceira e Graciosa, é uma das doenças que levanta mais preocupação. "É o principal problema sanitário do efetivo apícola", mas há outras, explica a diretora-geral de Alimentação e Veterinária, que sublinha que há sempre ameaças à apicultura nacional com a possibilidade de introdução de novas doenças.

Exemplo disso é uma nova doença das abelhas , a Aetinose, que surgiu em Itália em 2014. A Comissão Europeia determinou regras de biossegurança muito exigentes, Itália está proibida de exportar abelhas e a vigilância foi reforçada. Susana Pombo explica ainda que todos os estados-membros da União Europeia têm planos de controlo para identificar problemas com doenças endémicas ou doenças exóticas que possam surgir e que possam representar uma ameaça.

Sentinelas e polinizadoras

As abelhas são como sentinelas para riscos ambientais , escreve a ONU, alertando assim para a importância deste pequeno inseto do qual se contam mais de 20 mil espécies. Destas, apenas sete produzem mel e a mais comum é a Apis Mellifera, também conhecida como abelha do mel, que tem entre 11 e 13 milímetros.

As abelhas são agentes polinizadores, enquanto recolhem o néctar, que mais tarde se transformará em mel: voam de flor em flor e vão também recolhendo o pólen, nos pelos, nas patas, no corpo e assim contribuem para a reprodução das plantas.

Utilizam-no depois para produzir a geleia real, que serve para alimentar as larvas da rainha e as obreiras jovens. Cada abelha visita cerca de dez flores por minuto e faz uma média de 40 voos.

Numa colmeia, podem viver 80 mil abelhas, mas há apenas uma única rainha. Além da rainha, que pode viver cinco anos, na colmeia vivem zangões e as obreiras, que têm um ferrão que usam quando se sentem ameaçadas.

O ferrão tem farpas que ficam presas na pele do animal e, ao tentar fugir, a abelha perder uma parte do intestino, o que acaba por levar à sua morte.

A polinização é um processo fundamental para garantir a biodiversidade, para a produção de alimentos e para a subsistência humana. As Nações Unidas estimam que 90% das plantações de flores silvestres dependem da polinização, assim como 75% das plantações de alimentos e 35% das terras aráveis.

As alterações climáticas, as doenças, os pesticidas, a destruição dos habitats assim como espécies invasoras , como a vespa asiática representam ameaças para as abelhas.

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