"Algo de grave se passou." Demissão de António Mendes Calado precisa de ser explicada

O vice-almirante Pires Neves admite estar preocupado e considera ser importante saber as razões pelas quais o chefe do Estado-Maior da Armada está a ser alvo de um processo de demissão.

Na sequência da exoneração do almirante António Mendes Calado do cargo de chefe do Estado-Maior da Armada, o ministro João Gomes Cravinho vai levar a Belém o nome do vice-almirante Gouveia e Melo que chefiou, até agora, a task force da vacinação contra a Covid-19.

Mendes Calado, o almirante agora afastado do cargo, tinha sido muito crítico do modelo de reorganização da estrutura de comando das Forças Armadas, previsto nas alterações à lei de defesa nacional. Esse modelo prevê o reforço do poder do Chefe do Estado-Maior General, o que mereceu sérias críticas dos chefes dos três ramos militares.

Ouvido pela TSF, o vice-almirante Pires Neves, do grupo de Reflexão Estratégica Independente, igualmente crítico da reforma das Forças Armadas, estranha a demissão e mostra-se convicto de que algo de grave se passou.

"Naturalmente se há uma demissão em cima da mesa nós podemos admitir que alguma coisa de grave se passou", afirma, sublinhando que "isto é estranho, mas pode haver razões". O vice-almirante Pires Neves admite estar preocupado e considera ser importante saber as razões pelas quais o almirante António Mendes Calado está a ser alvo de um processo de demissão.

O vice-almirante Pires Neves acrescenta que é necessária uma explicação pública deste processo.

"Numa lógica de cidadania, todos nós deveremos conhecer as razões da demissão do Chefe, porque tem que haver fundamento para a demissão. Se não houver será sempre um ato estranho e enquanto cidadão isso preocupa-me e julgo que nos deve preocupar a todos nós", disse.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, vai propor ao Presidente da República a demissão do chefe do Estado-Maior da Armada. De acordo com fontes ligadas à área da Defesa, o atual chefe do Estado-Maior da Armada, almirante António Mendes Calado deverá, por proposta do Governo, sair do cargo que ocupa desde 2018. O vice-almirante Gouveia e Melo vai ser proposto pelo Governo ao Presidente da República para substituir António Mendes Calado.

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