Associação Nacional de Diretores quer explicações da DGS sobre critérios para isolar alunos e professores

Critérios mudaram e há casos em que um único caso de Covid-19 envia todos os alunos da escola para casa. Noutros, os alunos ficam sem aulas apesar de continuarem a ter de ir para a escola.

A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) quer esclarecimentos da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre as novas regras para isolar alunos e professores cada vez que surge um caso positivo de Covid-19.

Antes do segundo período de confinamento a solução era identificar e isolar em casa apenas os contactos próximos, mas desde o regresso às aulas que as ordens de isolamento são dadas a toda a turma de um aluno infetado e a todos os seus professores.

O presidente da associação, Filinto Lima, diz que parece um exagero, mas não tem a certeza e coloca a pergunta à diretora-geral da saúde, Graça Freitas, para que explique aquilo que motivou uma mudança "radical" de critérios que afetam o funcionamento das escolas.

"Se calhar tem de ser assim, mas isto nunca nos foi explicado e merecemos uma explicação. Era bom que a dra. Graça Freitas esclarecesse para percebermos porque é que corremos o risco de um aluno ou um professor ou um funcionário estar infetado e a escola ter de fechar parcialmente ou mesmo totalmente", afirma Filinto Lima, para quem estes critérios complicam muito a vida das escolas.

"Incompreensível"

A Escola Básica Engenheiro Fernando Pinto de Oliveira, em Matosinhos, é um dos estabelecimentos de ensino que nas últimas semanas teve de ser encerrado por causa dos novos critérios da DGS.

O diretor, Jorge Sequeira, explica à TSF que a escola esteve encerrada entre 19 e 31 de maio por causa de um teste positivo de uma professora que levou as autoridades de saúde a mandarem para casa quatro turmas e todos os professores que passavam pela sala de professores.

Na prática, como quase todos os professores passavam pela sala dos docentes, a decisão obrigou a fechar a escola que tem 1300 alunos, passando todos os estudantes para o ensino à distância devido a uma decisão que a comunidade escolar considerou um "exagero" e "incompreensível", algo que depois se confirmou, segundo Jorge Sequeira, com os 150 testes negativos feitos, por duas vezes, a todos os professores.

Como formalmente a escola não foi diretamente fechada pelas autoridades de saúde, os pais que tiveram de ficar em casa com alunos até aos 12 anos não foram compensados pela Segurança Social.

Rigor e articulação

Ao contrário da visão da ANDAEP, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) fala sobretudo num maior rigor e articulação das autoridades de saúde.

Manuel Pereira diz que desde que as aulas recomeçaram as "decisões são semelhantes em todo o país: se aparece um caso positivo vai a turma toda para casa".

O representante da ANDE acredita, contudo, que as famílias compreendem e tem existido "um enorme cuidado das escolas em explicar tudo aos encarregados de educação", não existindo a necessidade da DGS apresentar mais esclarecimentos.

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