Avante! pode tornar-se um "grande exemplo de que a vida pode e deve continuar"

Para Carlos Carvalhas, muitos dos que dizem estar preocupados com as questões sanitárias do evento na realidade estão interessados no aproveitamento político. O antigo líder do PCP acredita que a direita tem receio de que a festa se torne um exemplo.

Depois de já ter participado em todas as Festas do Avante!, inclusive na primeira, em 1976, quando uma cabine elétrica explodiu, Carlos Carvalhas considera que as críticas feitas ao evento não têm em conta preocupações reais com a pandemia, mas revelam aproveitamento político.

No dia em que se inicia o certame de três dias, o antigo secretário-geral do PCP lamenta, em declarações à TSF, o que diz ser "um cortejo de hipocrisia, de fingidos, dos chamados muito preocupados com as consequências pandémicas da festa". Carlos Carvalhas acusa mesmo a direita de instigar um sentimento anticomunista. "A pergunta que eu faço é: 'Também acredita que um comentador de direita está preocupado com as questões sanitárias na festa do Avante!? Não está.'"

"Um grande exemplo de que a vida pode e deve continuar, e que também na dimensão da luta e da cultura a vida continua", o Avante! é, para Carlos Carvalhas, uma festa que pode tornar-se um modelo de organização, o que, vinca o comunista, muitos temem. "Não é a pandemia que vai encerrar, se for necessária, uma greve. Se for necessário, um protesto. A luta política vai continuar..."

O antigo secretário-geral do PCP diz compreender a preocupação geral com a realização do evento, mas garante que a festa vai decorrer com muita disciplina e segurança, num decalque de como a vida dos portugueses já decorre. "Há pessoas que têm estado sinceramente preocupadas com a realização da festa, mas a todos esses se deve lembrar o que tem a festa. A festa tem restaurantes, aos quais vão ser aplicadas as mesmas regras sanitárias que se aplicam a um restaurante cá fora; tem exposições, tem concertos, como há cá fora, e tudo vai processar-se naturalmente com as mesmas regras e com uma grande disciplina sanitária, sobretudo pela maioria."

Carlos Carvalhas considera que cada espaço será ladeado com o fluxo de pessoas que também "nos supermercados, na Feira do Livro" se junta, e aponta: "A Feira do Livro vai durar oito dias e não três, e ainda bem que se realiza."

Chegou a ter de pintar para ajudar a fazer a festa e a enveredar por tarefas de bricolage em que não se reconhece talento. Carlos Carvalhas afirma que é difícil descrever o ambiente da festa, que se baseia na amizade e na solidariedade. Apesar de este ano o calor humano não poder ganhar a mesma intensidade, haverá carvalhesa, ainda que à distância, assegura o antigo secretário-geral do PCP.

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