Casas de acolhimento ficam de fora das primeiras fases da vacinação e reclamam inclusão na lista

As estruturas que recebem crianças e jovens estão descontentes com a exclusão nas fases prioritárias da vacinação e lembram a importância de os profissionais serem protegidos, numa altura em que as escolas estão encerradas.

As casas de acolhimento de crianças e jovens, que até agora têm sido equiparadas aos lares no combate à pandemia, queixam-se de ficar de fora das primeiras fases da vacinação contra a Covid-19.

A pergunta foi enviada por escrito ao Instituto da Segurança Social, à Direção-Geral da Saúde e à task force para o plano de vacinação. A resposta surgiu através da comunicação social: as casas de acolhimento não integram nem a primeira, nem a segunda fase do plano de vacinação. João Pedro Gaspar, coordenador da PAJE, uma plataforma que apoia jovens durante e depois do acolhimento, não compreende a resposta, porque a norma que define prioridades na vacinação inclui estas estruturas. "A situação prende-se com as orientações que foram dadas no início de 2021 relativamente aos alvos prioritários da vacinação contra a Covid-19, e que referia estruturas similares indicadas na norma n.º 9 de 2020. Essa norma remete-nos para todas as unidades de cuidados continuados e também para as estruturas de acolhimento de crianças e jovens em perigo."

O caso de uma instituição que já recebeu a vacina vem adensar as dúvidas, conforme explica João Pedro Gaspar. "Pelo menos uma casa, no Norte do país. Houve uma toma. É uma casa que tem algumas especificidades porque acolhe crianças e jovens portadores de deficiência ou de doença crónica, mas não sabemos se depende das unidades locais de saúde pública ou se depende realmente de uma diretriz que seja mais esclarecedora."

A PAJE garante que insistirá, junto das autoridades, para que lhe seja esclarecida a inclusão das casas de acolhimento numa das fases do plano de vacinação. João Pedro Gaspar lembra que o encerramento das escolas tornou a situação agora mais urgente. "Com os jovens em casa, agora, 24 sobre 24 horas, o reforço dos recursos humanos é fundamental, e correr o risco de termos surtos de doença da parte dos cuidadores principalmente nas casas de acolhimento iria comprometer o que consideramos necessário, que é o reforço dos recursos humanos em quem os jovens confiam para que possam acompanhá-los, também na área escolar."

Há 400 casas de acolhimento de crianças e jovens no país, entre as quais quase todas já registaram casos de Covid-19.

* e Catarina Maldonado Vasconcelos

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