Novo coronavírus. Cascais admite interditar praias

As praias do concelho de Cascais tiveram uma afluência significativa, no dia em que a OMS declarou a Covid-19 como uma pandemia.

A Câmara Municipal de Cascais pondera encerrar todas as praias do município, conforme apurou a TSF, depois da enchente verificada esta quarta-feira, numa fase em que a Covid-19 é já considerada uma pandemia mundial e Portugal regista 78 casos de infeção pelo novo coronavírus.

Pedindo para que os cidadãos não vão a banhos, o município refere que, "caso as indicações não sejam seguidas, a Câmara de Cascais pondera ações mais drásticas como a interdição das praias do concelho", em articulação com a autoridade marítima.

Ouvido pela TSF, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, garante que há várias equipas de vigilância nas praias. "Avançámos com nadadores-salvadores para as várias praias do concelho para a eventualidade, em coordenação com a Direção Geral da Saúde, através da delegada de saúde de Cascais, de os cidadãos não serem sensíveis a esta questão", reconhece o autarca.

"Se os cidadãos não forem sensíveis aos nossos pedidos de não frequentar as praias, não teremos outro recurso que não seja interditar as praias", adverte Carlos Carreiras.

O autarca de Cascais lembra que, além da pandemia provocada pelo novo coronavírus, a ida às praias levanta problemas de segurança. "O mar nestas alturas não está exatamente igual ao mar que conhecemos do período de férias. Ontem foi necessário fazer dois salvamentos de afogamento e foi preciso prestar dez socorros."

Na quarta-feira, dia de temperaturas elevadas e pouco frequentes para esta altura do ano, e em que a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia relativa ao surto de Covid-19, as praias do concelho, no distrito de Lisboa, tiveram uma afluência significativa, pelo que a autarquia decidiu inicialmente tomar "medidas extraordinárias e em tempo recorde para alargar o controlo das praias fora da época balnear", como noticiou a Lusa.

A Câmara de Cascais acionou nadadores-salvadores nas praias, mas sublinhou que estes locais "não são um lugar seguro neste tempo e neste contexto" e apelou ao "espírito de cidadania responsável", admitindo mesmo a possibilidade de interdição dos areais.

"Mesmo sendo desaconselhada e civicamente censurável a deslocação às praias, a autarquia, dentro das suas competências, quer minimizar os impactos em matéria de segurança pública", refere a nota, acrescentando que estão em causa questões de saúde pública e de segurança pública.

Foram, assim, ativados seis nadadores-salvadores para a praia de Carcavelos, quatro para a do Guincho, quatro para os areais de Cascais (Conceição, Duquesa, Rainha e Moitas), três para o Tamariz, dois para São Pedro e outros dois para a Parede.

Na quarta-feira foram registadas nos areais do concelho 20 ocorrências - dez relativas a primeiros socorros e outras dez de salvamento - numa altura em que "o mar de inverno tem grande amplitude de marés, com correntes e ondulações fortes".

"Vivemos num contexto de pandemia. É altamente desaconselhada a deslocação até às zonas balneares ou de grande concentração de pessoas. Vale sempre reafirmar o óbvio: a contenção do novo coronavírus é feita em casa, não é feitas nas ruas ou nas praias", escreve o município, liderado pelo social-democrata Carlos Carreiras.

A autarquia sublinha que o reforço de vigilância não implica que esta seja feita nos moldes e contingentes habituais, mas apenas que "há vigilância mínima assegurada por nadadores-salvadores, para que, ao problema grave de saúde pública, não se some outro de segurança".

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