Com mais de 48 mil pedidos de ajuda, Cáritas apela à revisão do RSI

A Cáritas Portuguesa pede ao Governo para que intensifique as medidas sociais, entre elas, a revisão dos critérios para Rendimento Social de Inserção (RSI). Pedidos de ajuda subiram mais de 40%, sobretudo na Grande Lisboa, Grande Porto e regiões industrializadas do Vale do Ave, Braga e Algarve.

Os números não param de subir e as medidas são cada vez mais necessárias. O alerta é feito por Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, que foi recebido em audiência pelo Presidente da República, em Belém.

Mais de 48 mil pessoas pediram ajuda pela primeira vez aos centros diocesanos da Cáritas, o que representa um aumento de 40% em relação ao ano passado, como já tinha sido avançado à TSF. Desta vez, a Cáritas informou Marcelo Rebelo de Sousa sobre a situação com o presidente da instituição a sublinhar que o Chefe de Estado "está atento" à situação.

Questionado pela TSF, o ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social lembra que para colmatar o aumento de famílias carenciadas já flexibilizou o acesso ao RSI, dispensando os requerentes de apresentarem o contrato de inserção.

Com esta crise que chegou "inesperadamente e de forma repentina", a Cáritas sublinha que "as consequências imediatas na vida das pessoas" começaram logo a sentir-se com o aumento nos pedidos de ajuda que se estendem até à classe média alta.

Por isso mesmo, Eugénio da Fonseca pede uma intensificação das medidas sociais e dá o exemplo do RSI. "Rever-se o RSI em termos de metodologia e até de valores porque, se as pessoas tiverem autonomia financeira, já não precisam de recorrer a instituições como a Cáritas. Estas pessoas de que estamos a falar tinham as suas vidas organizadas, tinham o seu orçamento familiar, muitas com muitas dificuldades e por isso caíram depressa, mas organizavam-se", nota o responsável da Cáritas.

"O que importa é fazer chegar rendimento suficiente para a subsistência das pessoas", afirma Eugénio da Fonseca que denuncia que os pedidos estão a demorar 45 dias para serem aprovados, além de que para alguém poder pedir o RSI não pode ter rendimento durante 3 meses.

Questionado sobre se esta crise será pior do que a de 2008, o presidente da Cáritas vinca que "os indicadores estão aí". O receio deste responsável é que em setembro os números sejam muito maiores e os casos mais graves, até porque as pessoas têm "tendência para o endividamento".

Eugénio da Fonseca dá conta de que a Cáritas lançou um apoio de 130 mil euros, 100 mil dos quais para alimentação, e receia que o montante não chegue até junho. Por isso mesmo, está também prevista para breve uma campanha nacional de angariação de fundos.

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